Compaixão

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Participando da Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro, eu tive a grata experiência de ver como seria um mundo onde as pessoas se preocupam com as outras. Era realmente impressionante a atenção dispensada pelas pessoas. Não tinha uma fila sendo furada, uma briga à toa, um tumulto por nada. Todo mundo se ajudando, e se antecipando aos demais.

Minha regra de ouro sempre foi: não faça com os outros, o que não gostaria que fizessem com você. Claro que eu não vivo de puro altruísmo, seria um sonho, mas não é a realidade. A gente tem que pensar em nossos interesses e no que queremos, porque ninguém vai fazer isso por nós. E do jeito que as coisas vão, você, além de ficar para trás, é taxada de ingênua.

Mas que incrível seria ver que as pessoas se preocupam um pouco mais com o bem estar de todos, com o direito de todos. corrente do bem

Estava contando para um grupo de amigos como tivemos dificuldade durante a Jornada para ir ao banheiro. A prefeitura não disponibilizou a quantidade suficiente, e por isso alguns enfrentaram de duas a três horas de fila para conseguir ir ao banheiro. E mesmo assim, ninguém furava fila. E um dos meus amigos comentou: “Se eu tivesse apertado eu furaria”. E respondi: “Você acha que numa fila de duas horas você seria o único apertado?”.

É disso que se trata. Por que o meu direito ou a minha necessidade tem que ter prioridade ante as dos outros?  O que faz de mim o único importante ou necessitado no mundo? Por que as pessoas não olham mais para os demais?

Em espanhol eles dizem: colocar-se nos pés do outro. E eu acho uma boa imagem essa. Que difícil é me colocar nos pés do outro, ver como é viver sua vida, caminhar por onde caminha, desejar o que deseja, sentir o que sente. É muito fácil julgar e pisar nos outros quando eu só sei da minha vida. É muito fácil saber o que eu quero e agir conforme as minhas necessidades sem me importar com o resto.

E as pessoas ainda justificam: eu passei por cima dela, eu a prejudiquei, mas foi somente porque eu precisava, ela tem que entender. E segue sem dor na consciência, porque se eu precisava ou queria, é motivo suficiente para a ação ser aceita. E geralmente essas mesmas pessoas se irritam bastante quando fazem o mesmo com elas. “Quem ele pensa que é para me prejudicar? Ele não sabe que eu preciso? Ele só pensa nele mesmo?”

E vira um ciclo. Queremos que todo mundo respeite meus direitos e entenda as minhas necessidades, sem que eu precise fazer o mesmo com o resto das pessoas. E exigimos dos governantes que olhem para nós e para o que precisamos, mas eles só estão fazendo o que todo mundo faz: olhando para eles mesmos. Afinal, apesar de estarem em cargos políticos, eles são pessoas como nós, e assim como nós, já se esqueceram, e muito, do que é ter compaixão pelo próximo.

E o pensamento se estende a tudo. Eu posso jogar lixo no chão porque a lixeira tá longe ou porque tem quem limpe. Eu posso estacionar na vaga de deficiente porque eu estou com pressa. Eu posso furar a fila porque senão vai demorar muito para eu conseguir o que quero, e por ai vai…

Acho que o mundo não precisa só de grandes gestos de solidariedade.  Ele precisa de que nós tenhamos mais consciência de que tudo que fazemos influencia no mundo inteiro. Ele precisa que nós mudemos nossas atitudes diárias e nos importemos um pouco mais com o direito de todos. Afinal, o limite do meu espaço é o resto do mundo!

E deixo aqui o desafio de fazer essa experiência de se colocar no lugar do outro, de pensar um pouco antes de tomar decisões que afetem outras pessoas, de ter uma consciência maior de que somos uma parte do todo.

E ainda que ninguém reconheça o esforço que se faz pelo coletivo, que é o que geralmente acontece, deixo como motivação uma frase de Madre Teresa de Calcutá que eu gosto muito: “Por vezes sentimos que aquilo que fazemos é apenas uma gota no oceano. Mas, o oceano seria menor se lhe faltasse uma gota”.

2 ideias sobre “Compaixão

  1. Legal Karê… lembro dos comentários de diversos cariocas que conheço que ficaram admirados com o clima que a JMJ levou ao RJ.
    E Polônia-2016, aí vamos nós!

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