Apostando

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apostaA vida me traz novas experiências sempre e com elas eu percebo que muita coisa mudou em mim, mas a essência é a mesma. E é assim: aprendemos, e muito, ao longo do caminho, com o que nos acontece e o que deixa de acontecer. Mas tudo nos deixa marcas, boas ou ruins, e cabe a nós decidir se elas vão nos impulsionar ou frear.

Enquanto estamos sozinhos, nos damos tempo para resolver nossos embates, medos e inseguranças. Criamos forças, aprendemos a gostar de nós mesmos, e podemos perceber com clareza nossos erros e acertos passados e presentes. Não afetamos a ninguém a não ser nós mesmos.

É um processo difícil de reconhecimento pessoal, autoconfiança, autoestima e assertividade. Extremamente necessário para todo mundo que passou por um trauma ou frustrações para relacionar-se.

Nesses casos de término de relacionamento, acho que reagimos mais ou menos da mesma forma. Primeiro vem a parte da fossa, quando nada parece ter jeito, quando você se acha a única errada e a única culpada por tudo que aconteceu. E esse momento é extremamente decisivo. Muitas pessoas param ai, e ficam pra sempre se lamentando pelo que sofreram. Mas é importante decidir seguir adiante, colocar a dor de lado e ir em busca do que mais se perde: você mesma.

E ai vem a hora de se arrumar, se sentir bonita, única, querida. Aparecer, causar, querer. Gastar energias mesmo. Nada de silêncio, nada de fossa, nada de pensamentos profundos. Apenas viver intensamente para resgatar momentos, histórias, vivências. E também direcionar as energias acumuladas para coisas que aumentem seu nível de felicidade.

Mas também não é um estágio final. É apenas parte do processo. Chega uma hora que cansa. As coisas começam a parecer superficiais demais. O excesso de barulho externo começa a incomodar e o barulho interno começa até doer. Ai é hora de parar. É o momento de voltar a se escutar. De perceber os erros e as culpas com muita sinceridade e clareza. Não mais para autopunição ou ódio a outras pessoas. Mas para poder melhorar, crescer, aprender com o que aconteceu.

Essa talvez seja a fase mais dolorosa e difícil, porque voltar a olhar pra si mesma e escutar-se dói e confunde. Definitivamente você não é mais a mesma pessoa. E fica complicado começar a conhecer essa nova pessoa que você se tornou, e tentar encaixar toda a sua vida nesse novo modo de pensar, de viver e enxergar as coisas.

E é duro ver como certas coisas não se enquadram mais, não cabem mais em você, mesmo que antes tenham sido cruciais para viver. É perceber que você, muitas vezes, nem reage como antes. Prazer, você é a nova você mesma!

Essa redescoberta arranca tudo que é velho e ajusta o novo. Isso dói. Certamente dói muito. E dá medo. Dá vontade de correr. Mas uma coisa é certa: por pior que seja, você tem certeza que não deseja voltar a ser quem era antes. Não porque fosse ruim, mas simplesmente porque é pra frente que se anda, e mesmo doendo, você sabe que está andando. E isso é o que importa.

Até que você começa a se perguntar: até quando isso? Até quando eu estarei fechada pra reforma? Quando será minha grande reinauguração?

Acredite, você vai saber. Mesmo sem isso ser um grande evento com data marcada. Vai chegar um dia em que seu coração estará aberto a novas histórias, e isso não vai te assustar mais. Ao contrário, vai te dar a sensação de coisa nova, coisa boa, aventura.

A segurança aparece. A força cresce. Você entra “no mercado” até sem querer. Se sente super confiante de que sabe por onde andar, quem você quer, e o que você não aceita de jeito nenhum na sua vida.

E de repente chega. Outro alguém. De lugar diferente, de jeito diferente, que desperta em você outras sensações que você mal podia imaginar! E ai você pensa: estou pronta! Nada de medo, de problema, de erros, de insegurança, de dor, de sofrimento… E BUM! Volta tudo!!!

Não como era, nem de longe. Mas você começa a ter medo de cometer os mesmos erros de antes, se sente insegura. Porque ele tá comigo? O que será que eu tenho? Quando ele vai embora e eu vou começar a sofrer? O desespero chega a tomar conta. E é nessa hora que a gente vê que cresceu e o que aprendeu com a vida e com as experiências anteriores.

Pensamos em mil coisas e nada ao mesmo tempo. E deixamos rolar. Seja o que for e como for. Que seja! O tempo traz todas as respostas, toda a calma, todo o necessário para tomarmos boas decisões.

E assim aprendemos que nunca estaremos prontos (não como imaginamos). E que sempre teremos coisas a temer, aprender, fortalecer, tirar o fôlego, irritar, brigar, reclamar, agradecer, divertir e viver! E se somos tão dinâmicos e nos renovamos todos os dias, porque querer ser estático? Porque querer parar?

A vida é uma aposta que temos que fazer todos os dias, todos os momentos. “Quem não arrisca, não petisca.” me diria agora minha mãe. Apostamos em nós mesmos e apostamos nos outros também.

O que fazemos ou deixamos de fazer sempre nos traz consequências menos ou mais esperadas. Mas o importante é que tudo desemboca em outras experiências, que por mais que pareçam conhecidas, nunca serão as mesmas, porque os momentos são outros, e principalmente, você não é a mesma pessoa.

Pra terminar vamos filosofando um pouco mais: “um homem não toma banho duas vezes no mesmo rio, porque nem o homem nem o rio serão os mesmos” (Heráclito). E assim a vida se renova e nos renova, porque a cada experiência podemos ser diferentes e ter resultados diferentes.

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