Decisões bizarras

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Esses últimos meses vieram recheados de fatos amorosos estranhos. O primeiro foi comigo mesmo. Conheci um cara, desses que você gosta de cara, amigo do amigo, sabe como é? Ele teve atitude, pegou meu telefone, já me chamou pra sair, e foi me envolvendo com uma rapidez impressionante. Eu quase nem me reconheci! Mas como eu aprendi nos relacionamentos anteriores, eu vou me entregando na mesma medida que o cara demonstra se entregar, nem mais nem menos. A coisa foi que ele se jogou totalmente pra mim, em três semanas que a gente estava saindo o cara já me tratava de namorada, já falava em pra sempre, já tinha me apresentado a todos os amigos. Confesso que eu me sentia incomodada porque algumas vezes parecia demais, mas estava tudo tão legal, a gente se dava tão bem que eu deixei passar. E de repente, um dia depois dele dizer que eu era o amor da vida dele, ele sumiu… Sumiu do tipo “sumiu mesmo”, só foi falar comigo três dias depois e veio com o papo de “nós estamos muito afoitos, não precisa ter pressa, melhor ir com calma…” Oi? Nao-entendi-nada

Eu perdi alguma coisa ou quem correu foi ele? O fato era que o “ir com calma” dele era voltar para aquele ponto em que a gente nem se conhecia. Nunca mais ligou, mandou mensagem ou apareceu. Bizarro, não? Pelo menos a expressão “do dia pra noite” fez mais sentido para mim…

No meio desse surto neurótico-maluco do ex-futuro amor da minha vida, minha amiga veio me contar que a prima dela que namorava há anos com um menino super fofo, que adorava ela, e que tinham aquele namoro dos sonhos, aproveitou a ida dela para outro país fazer um curso rápido e terminou tudo porque se apaixonou em duas semanas por uma garota que tinha acabado de conhecer.

Sem contar no outro caso que eu ouvi, de um cara que passou dois meses de rolo com uma amiga, e que estava totalmente afim dela e a convidou para uma viagem à Califórnia, super-romântica, só eles dois. E chegando lá, tendo ela gastado em torno de 10 mil reais para isso, o incrível e apaixonado cara surtou. Surtou do tipo “foi parar no hospital”. Tinha crises de medo e infernizou a vida dela a ponto de eles quase caírem na porrada.

Como não refletir diante de tudo isso? O que está acontecendo com as pessoas? E tudo que vem a mente é a dificuldade crescente que as pessoas têm de lidar com as frustrações, com as decisões que precisam tomar e as consequências delas.

O cara faz um estardalhaço porque te conheceu e te achou incrível e vê que você pode sim ser a mulher da vida dele, mas de repente percebe que não deu faísca, não colou. Ainda que você seja incrível, não é você que vai estar do lado dele pra sempre. Tudo bem, é um problema, mas é compreensível.

Aí você se coloca no lugar e pensa nas soluções: dizer isso para ela vai doer, ela provavelmente não vai entender na hora e vai achar que é desculpa, mas depois passa; ou você pode inventar uma desculpa do tipo “não é o meu momento, estou focado em outras coisas”, e provavelmente vai doer, ela não vai entender na hora, vai saber que é desculpa, mas depois passa; ou você pode fazer como ele fez, sumir de uma hora para outra, aparecer com uma desculpa esfarrapada e sumir novamente, e isso vai resultar em doer, demorar umas duas semanas para ela continuar sem entender e pensar: “credo que maluco, idiota!”, mas isso também passa.

Ou seja, nenhum término é agradável, tranquilo e super compreensível. Até porque como se explica um sentimento que só você está sentindo a outra pessoa? Mas ainda sim, trabalhar com a verdade é sempre a melhor opção. Ainda que doa é sempre a verdade, e o tempo faz passar, e pelo menos você não vai sair de insano na história.

Terminar um relacionamento talvez seja uma das decisões mais difíceis que se tenha que tomar porque envolve o bem estar de duas pessoas. E as consequências na maioria das vezes não são agradáveis. É frustrante apostar em alguém e de repente ver que aquilo não é mais verdade, ou que aquela aposta não é mais segura, ou que tudo foi por água abaixo. E é frustrante para os dois lados, para quem fica e para quem sai.

E se temos esse entendimento poderemos ser mais seguros na hora de tomar uma decisão dessas. Tudo o que podemos pensar é: existe alguma maneira de remediar isso? Ainda existe sentimento nos dois que possa manter o relacionamento? Se não, pronto, lide com isso. Não há o que se possa fazer. Um relacionamento só existe enquanto os dois querem, se um deixa de querer, nem adianta o outro insistir.

Não há nada de errado nisso, ainda que doa. Ainda que demore um tempo para sarar, para fechar a ferida da perda. Na verdade, talvez essa seja a regra, onde a exceção seja você encontrar alguém e realmente dar certo.

Saber perder, lidar com a frustração, faz parte de toda educação que recebemos. Se não aprendemos isso ao longo da vida, vamos continuar vendo essas histórias bizarras de términos de relacionamentos recheadas de péssimas escolhas e pouco enfrentamento do que realmente está acontecendo.

5 ideias sobre “Decisões bizarras

  1. Disse tudo, “a verdade nos faz livre” essa frase bíblica é praticamente o meu mantra, quanto mais sinceridade mais paz, mais fácil recomeçar e uma ótima oportunidade para amadurecer!

  2. Este post só me faz admirar mais as mulheres… incrível como passamos por essas e outras, sacudimos a poeira e seguimos em frente com mais um aprendizado na vida.
    Enquanto os homens, vão perdendo a oportunidade de se relacionar com mulheres maravilhosas e mostrando, com essas atitudes desentendíveis, que não sabem lidar com o fim de um relacionamento.

    Mas Karê, vou te confessar… morri de rir com “os fatos amorosos estranhos”. Vc arrasa!
    Bjs.

  3. Ora, ora…senti um pouco de feminismo exarcebado diante do texto e dos comentários. Será tudo culpa dos homens!? Karê, infelizmente só temos o seu ponto de vista.

    Quer um conselho: não desista dos homens, o que seriamos de nós sem vocês.
    Será que esse ex-futuro amanta tinha o pé ou corpo na Igreja!?

    Procure um Homem da igreja…ele pode está seu lado!!!

    O melhor de Deus ainda está por vir.
    Abra-se ao novo.

    • Humm…Feminismo? Não acho que tem feminismo nenhum. E sim, eu estou dando o meu ponto de vista e das histórias que eu escuto das minhas amigas. Nunca disse que desisti dos homens e nem muito menos que tudo é culpa deles.

      A crítica que faço é sobre a educação das pessoas (homens e mulheres) que hoje em dia é muito falha ao se tratar de lidar com a frustração. E para isso realmente me utilizei só de exemplos femininos, mas com certeza existem milhões de casos bizarros que acontecem com homens também.

      Mas fique tranquilo, eu estou sempre aberta ao novo e ainda mais ao que Deus tem para mim. 😉

      • Talvez não tenha sido claro ao dizer feminismo. Desse no senti mias simplório da palavra: “Exaltação as mulheres e uma depreciação aos homens”.
        Mas enfim…
        Concordo quando você diz que não sabemos lidar com as nossas frustrações.
        Por isso, os consultórios estão cheios e as igrejas vazias e a cada dia aumento o número de crimes passionais. Como diz Criolo: “Os bares estão cheios de almas tão vazias
        A ganância vibra, a vaidade excita
        Devolva minha vida e morra afogada em seu próprio mar de fel”

        Fica bem, fica com Deus

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