Lidando com as prioridades

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naoPor que burlamos nossas prioridades? Sabemos o que queremos ou pelo menos parecemos saber. Mas na primeira oportunidade já descartamos e transformamos isso, e o pior: convencemo-nos de que era isso que queríamos desde sempre.

Pra mim, o mais importante sempre foi ter ao meu lado um homem de fé, um “homem de Deus”. Que rezasse comigo, e que tivéssemos juntos uma família santa, dessas que se vê na missa aos domingos e se admira. Claro, que a lista não tinha somente um item, mas 20 itens bem definidos, entre eles, que fosse mais alto que eu de salto, que fosse sociável, tivesse muitos amigos e gostasse de sair e dançar.

Bom, mas bastou conhecer um homem que se apaixonou por mim de cara e queria casar comigo que todos esses itens foram dispensados e relativizados. Tirando que ele era, de verdade, mais alto que eu de salto, ele não era sociável, não tinha muitos amigos, não gostava de sair nem dançar e o principal, não era religioso. Mas ele tinha um fator predominante e que eu nunca soube que fosse a minha prioridade naquele momento: ele me queria.

Você pode pensar: “nossa, que mulher carente!” E sim, eu era. Ao menos foi o que eu descobri meses depois de me separar e sair de um casamento ruim, que eu aceitava nem sei o porquê.

Eu simplesmente não havia me dado conta que eu não me amava o suficiente e não me sentia amada. Não a ponto de não precisar mudar toda minha vida, anseios, desejos, prioridades somente porque alguém de repente resolveu me amar. Essa foi a maior prova do quanto minha autoestima e minha autoconfiança eram apenas uma fachada. Uma pintura que eu colocava pra ninguém, nem mesmo eu, perceber que na verdade eu era um poço de ansiedade e insegurança. Logo eu, uma pessoa tão forte, tão confiante e temente a Deus… É… Logo eu!

E ai veio a lição: se temos uma prioridade, ela deve ser posta em primeiro lugar – redundante, eu sei, mas necessário explicar. Se dissermos que tal característica é prioritária em um homem, ou confiamos que vamos encontrar alguém assim e procuramos por ele ou simplesmente tiramos da lista de prioridades. O que não se pode fazer é exatamente o que fazemos: ele é o máximo, ele tem mil qualidades, mas não tem “isso”. Mas sem problemas porque ele pode mudar quando a gente começar a namorar e ele ver que eu quero assim.

A quem a gente quer enganar? Porque eu seria tão especial a ponto dele mudar só porque eu quero que ele mude?

Regra básica: uma pessoa só muda algo na vida se ele estiver incomodado com aquilo que está fazendo ou vivendo, ou simplesmente porque quer mudar. Ninguém muda por ninguém, mas por si mesmo. Ou seja, a não ser que você detecte nele uma visível vontade de mudança (e eu digo visível mesmo), não se engane. Ele não vai mudar por você.

Não se negocia com a prioridade! Ou ao contrário você se verá mendigando o amor de uma pessoa que nem é o que você queria, mas, que por uma razão, ele se tornará imprescindível na sua vida a ponto de sofrer só de cogitar a falta dele. E tudo isso por carência. Insegurança.

É mais ou menos como imaginar que você pegue um ônibus errado mesmo vendo que ele é o errado. Mas pelo menos é melhor entrar nesse do que ficar na insegurança de não saber a que horas o ônibus certo vai passar. E se não passar? E se eu estiver de cabeça baixa e não vir que ele é o ônibus que eu quero?

E quando estiver no ônibus errado e ver que ele não está te levando pro caminho que você deseja, você não vai querer descer. Simplesmente porque não vai saber exatamente onde está e o que fazer pra voltar para o caminho que estava e pegar o ônibus certo. E que ainda assim pode demorar a chegar. E isso, por mais absurdo que pareça, é exatamente o que fazemos. Tomamos o ônibus errado, não queremos descer e sofremos muito ao descer por ter que enfrentar o que fizemos.

O problema, na verdade, não é afetivo. O problema é a falta de confiança, em Deus e em nós mesmos. Se confiássemos de verdade não nos venderíamos por tão pouco.

Mas não basta somente saber qual ônibus se quer tomar, mas estar no lugar certo para encontrá-lo e com tudo que é necessário para tomá-lo. Não adianta eu pedir a Deus um homem assim, assim e assim… Se eu não sou nem de longe o que um homem desses procura numa mulher. Não se trata aqui de mudar minha vida e ser diferente, é ser eu mesma melhorada. Afinal, da mesma forma que você está procurando um homem, ele também está procurando uma mulher com determinadas características. Não se “encaixar” em um perfil de alguém, mas ser o que eu sou chamada a ser.

E aqui estou eu agora, reconstruindo minhas prioridades e dessa vez sem negociações.

6 ideias sobre “Lidando com as prioridades

  1. Genial, a forma que você consegue se expressar e “colocar no papel” aquilo que sente e vive. Pra poucos…

    “OPÇÃO ou PRIORIDADE? OPÇÃO é aquilo que escolho quando quero. PRIORIDADE é aquilo que quero quando eu escolho…”

    Penso que não podemos tornar nossas prioridades um cimento, talvez uma massa!!!

    “É característica da nossa geração querer tudo na hora, tudo no seu tempo. e, muitas vezes, saem feridos dessa. Como se não bastasse, se adentram vorazmente em um novo “romance” tentando compensar o “tempo perdido” e, quem sabe, curar as feridas causadas pelas consequências negativas da carência. No entanto, carência é o pior estado para se envolver sentimentalmente com alguém.

    Fica bem fica com Deus

  2. Karê, cheguei ao seu blog por indicação da Fatinha!
    Estou adorando seus relatos! Vc escreve super bem! E expõe direitinho os dilemas femininos, rsrs.
    Bjos e sucesso!!

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