Qual é a sua luta?

35 Flares Twitter 1 Facebook 34 Google+ 0 Email -- 35 Flares ×

Tenho acompanhado a luta pela vida de um amigo muito querido, um exemplo. Já são mais de 8 anos de batalha contra um câncer na cabeça, sem nunca desistir, sem nunca pensar que é impossível recuperar. Pelo contrário, sempre animando quem está por perto e nos fazendo ter coragem e fé. E isso me fez pensar, entre outras coisas, que eu nunca consegui querer tanto uma coisa por tanto tempo. guerraSempre me questionei o quê me faz querer lutar assim.

A nossa vida é feita de pequenas e grandes batalhas que enfrentamos. Você pode decidir lutar ou não em cada uma delas. Você pode decidir, também, a intensidade e a duração dessas lutas sempre. E é isso que muda o rumo das coisas: reconhecer nossas guerras e lutar para vencê-las a cada dia.

E essas batalhas são diferentes para cada um. Não cabe dizer que a sua é maior ou mais difícil que a de ninguém. Cada luta é individual. Cada luta é intransferível e única.

Ser quem você é chamado a ser, conviver com os outros, definir e alcançar seus objetivos são batalhas que travamos todos os dias. E quando achamos que já vencemos, vemos que na verdade era apenas um degrau, um passo a mais no caminho, uma luta que só se encerra na morte.

O Papa Francisco fala que Deus dá aos melhores soldados as melhores batalhas. Eu concordo totalmente com isso. E as melhores batalhas não são necessariamente as mais difíceis, mas aquelas que demonstram a força, a intensidade e a perseverança de quem luta. A guerra que meu amigo enfrenta é dura e longa, mas é dele e ele abraçou com toda fé do mundo. E inspira a todos por isso, inclusive sua mulher, que luta com o mesmo ardor, fé e esperança, uma luta, que apesar de não ser dela, ela escolheu lutar.

E é isso que eles são, grandes guerreiros! Que nos dão a melhor lição: nunca parar de lutar! Mas para isso, é preciso preparo e estratégia. Não se vence uma guerra por sorte.

Antes de tudo, precisamos saber contra quem estamos lutando. Quem é nosso “inimigo”? Qual o tamanho dele? Qual a força necessária para combatê-lo?  Seja uma doença, uma deficiência, um defeito, uma fraqueza ou simplesmente um objetivo a alcançar. É preciso saber a dimensão de onde se quer chegar e qual o resultado se quer ter.

Só depois disso é que podemos pensar nos meios, métodos, estratégias, planos, instrumentos que podemos usar para atingir a meta. E ainda que não possamos necessariamente controlar, como no caso da doença, podemos fazer o melhor possível para enfrentá-la.

Mas mesmo com tudo isso em mãos, a visão clara do problema e a estratégia traçada, não se ganha uma luta sem travar as batalhas diárias, com alegria, perseverança, esperança e motivação.

A motivação nasce da vontade de lutar, ao mesmo tempo em que a luta nos motiva mais. E acho que o principal dos dois é ter um motivo. E que ele seja real, que comece de um desejo profundo do coração. E a esperança é o que nos faz continuar e nunca desistir. É imprescindível ter fé naquilo que queremos e, também, ter fé que podemos alcançar se lutarmos.

Mas, acima de tudo, é preciso perseverança. Nenhuma luta de vida se trava somente em um momento específico. Nossas batalhas duram uma vida. Começam hoje para repercutir no amanhã. E como diria Napoleão Bonaparte: “A vitória pertence ao mais perseverante”.

Alguns podem pensar: “mas e se eu perder a guerra?” E me vem à cabeça uma frase linda de uma carta de São Paulo a Timóteo: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé”. Vencer a batalha da vida é poder, apesar das dificuldades e tropeços no caminho, guardar para si o essencial, aquilo que realmente importa.

E eu acredito que essa é grande pergunta que devemos nos fazer todos os dias: o que é essencial pra mim? Porque é aí que está nosso grande motivo, nossa razão para lutar e nossa meta a alcançar. O resto é resto, passa, acaba com o tempo. Mas aquilo que realmente importa para nós, isso é o que nos eterniza no mundo e na história.

E viver do essencial é assumir a frente da batalha. E exatamente isso que meu amigo fez a vida inteira e continua a fazer agora, enfrentar a guerra pela vida sem perder de vista o essencial.

Eu torço para que saibamos aprender com as lições dos outros. Nunca desanimemos diante das dificuldades. E que tenhamos discernimento para descobrir o que é essencial em nossa vida e pelo quê vale a pena lutar.

3 ideias sobre “Qual é a sua luta?

  1. Li recentemente que o que nos mantém realmente vivos é o desafio diário, é essa “luta”. Estudos mostram que pessoas que atingiram sucessos incríveis se sentem vazias e tristes no momento em que se acomodam. Os objetivos, os sonhos, as lutas, são os que nos mantém energizados!

    Talvez por isso que a oração do pai nosso seja “o pão nosso de cada dia nos dai hoje” e não “o pão que vai resolver nossa vida pra sempre”… 🙂

Os comentários estão fechados.