Metamorfose ambulante

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borboletas

Escutei essa música esses dias no rádio e lá fui eu (como sempre acontece quando estou dirigindo sozinha) pensar na vida, no tempo e no quanto tudo muda o tempo todo.

Eu comecei a me impressionar com o quanto eu mudei do ano passado pra agora, o como tudo era diferente há exatamente um ano. Como que agora eu não tenho quase nada a ver com a minha versão de 10 anos atrás. E como eu continuo mudando dia após dia, mudando meus gostos, minhas vontades.

Quantas vezes eu desisti do meu emprego e me apaixonei por ele de novo? Quantas pessoas que eu quis que ficassem pra sempre na minha vida e depois eu só queria que fossem embora? Quantos amigos eu vi chegar e sair? Quantas decisões pequenas e grandes que mudavam meu rumo repentinamente? E me deu um medo de ser taxada de inconstante, de não ter raízes ou profundidade.

A música tocava e eu continuava pensando. E de repente ficou tão claro como minhas ideias, sonhos, decisões e atitudes mudam rapidamente.  Exatamente assim: uma metamorfose ambulante. E o que conclui é que realmente é muito melhor ser assim “do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”.

Quantas coisas que eu disse que eu nunca faria e hoje não me canso de repetir; quantas coisas que eu recriminava, hoje eu acho perfeitamente normal; quantas pessoas que eu não gostava e hoje são minhas melhores amigas. Que bom que o tempo passa e a gente pode evoluir, repensar, reformar… Qualquer coisa, a qualquer tempo. Até nas coisas mais simples… Por exemplo, eu odiava mostarda e agora tudo que eu como eu ponho; eu dizia que não entendia as pessoas que gostavam de beber e hoje em dia, beber com meus amigos é meu programa favorito.

Incrível como a vida é dinâmica! E não tem coisa mais chata do que conversar com gente que parece que vive há 10 anos no passado, que tem as mesmas ideias e não consegue ouvir pontos de vista diferentes sem se sentir afrontado.

E a verdade é que a gente não consegue frear a vida e as coisas que nos acontecem, simplesmente porque não temos esse poder. E quanto mais nos agarramos às ideias de sempre, às vontades e verdades de sempre, mais difícil fica a adaptação ao mundo e às pessoas.

É como andar de montanha-russa: o problema é entrar naquele bendito carrinho. Ter que passar pela ansiedade, o nervoso e o baita frio na barriga… Quando ele começa a andar você pensa: “o que é que eu estou fazendo comigo?”, mas depois da primeira descida é só alegria, é só vento no rosto e adrenalina. O importante é relaxar e se soltar porque se não fizer isso, não vai se divertir e ainda vai ganhar uma bela dor no pescoço. Porque assim como o carrinho da montanha russa, a vida não para, não espera, não volta pra você pensar melhor ou fazer diferente.

No fim das contas, a mudança não é vergonha, não é falta de pulso firme ou de personalidade. É simplesmente amadurecimento, é reflexão. É descobrir que o mundo não é estático. É aprender com os próprios erros. É fazer diferente para conseguir resultados diferentes.

Foi nesse momento que eu me senti inundada de uma felicidade sem igual. Não, eu não sou uma pessoa inconstante, apenas me deixei moldar pelas experiências que a própria vida me deu e, de verdade, não me arrependo. E quando me falarem assim: “mas você não achava isso antes…” vai me invadir uma risada interna e eu vou repetir mentalmente, enquanto sorrio com satisfação, uma frase que eu gosto muito: “Não me envergonho de me contradizer porque não me envergonho de raciocinar.”

7 ideias sobre “Metamorfose ambulante

  1. Êta mundo que gira!!! E vida que se transforma…E que bom! Obrigada amiga!

  2. Bem assim!!! E mudar è bom.. e o eu de 10 anos atràs è diferente e esse diferente do de 15 anos atràs… e è melhor parar por aì, pq senão denuncio a idade que tenho agora…
    e que venham as mudanças!! se fizerem a gente crescer, è o que vale!!!
    bj de alguèm que te conheceu a 12 anos atràs, te adorava là e continua te achando o màximo com ou sem mudanças, pq a essência de ser boa gente, essa não muda!!!!

  3. Tipo isso:

    Como uma onda no mar – Lulu Santos

    Nada do que foi será
    De novo do jeito que já foi um dia
    Tudo passa
    Tudo sempre passará
    A vida vem em ondas
    Como um mar
    Num indo e vindo infinito
    Tudo que se vê não é
    Igual ao que a gente
    Viu há um segundo
    Tudo muda o tempo todo
    No mundo
    Não adianta fugir
    Nem mentir
    Pra si mesmo agora
    Há tanta vida lá fora
    Aqui dentro sempre
    Como uma onda no mar
    Como uma onda no mar
    Como uma onda no mar
    Nada do que foi será
    De novo do jeito
    Que já foi um dia
    Tudo passa
    Tudo sempre passará
    A vida vem em ondas
    Como um mar
    Num indo e vindo infinito
    Tudo que se vê não é
    Igual ao que a gente
    Viu há um segundo
    Tudo muda o tempo todo
    No mundo
    Não adianta fugir
    Nem mentir pra si mesmo agora
    Há tanta vida lá fora
    Aqui dentro sempre
    Como uma onda no mar

    Fica bem, fica com Deus.

    *como sempre, mucho bien escrito!!!

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