Mestres em julgamento

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fofocaCada dia eu me impressiono mais com a nossa capacidade de julgamento. Estamos a todo tempo avaliando, medindo, dando nota às coisas e às pessoas. E mesmo que a gente se policie, quando percebemos já foi… Mesmo mentalmente já julgamos tudo.

Isso acontece com todo mundo. Não dá para fugir assim. Eu até desconfio de gente que diz que não fala ou pensa mal dos outros, porque além de ter certeza que a pessoa faz isso, ainda acho que ela mente.

É muito difícil não julgar, não por maldade, mas porque temos milhões de pré-julgamentos e pré-conceitos na nossa cabeça. Às vezes você nem quer falar mal do outro, nem estava pensando nisso, mas de repente, chega aquela fulana com uma saia horrorosa e um cabelo que ai ai ai… E quando você menos espera, pronto. A língua já está afiadíssima criticando.

Vejo que uma forma boa de frear esse tipo de julgamento é começar não externando. Ainda que pense, não fale, não comente. Guarde para você mesmo, já ajuda. E depois comece a trabalhar o pensamento. Toda vez que sua mente viajar na crítica a alguém, tente imediatamente pensar em três coisas boas da pessoa. Não vai fazer você parar de achar que a pessoa está feia ou deveria não ter feito tal coisa, mas pelo menos vai dar mais preguiça de criticar pelo esforço de achar os elogios…

Mas o julgamento que me incomoda mesmo não é esse comum do dia-a-dia. Mas é aquele maldoso. Aquele que procura as brechas nos seus defeitos ou erros. Aquele que é disseminado para rebaixar ou desmoralizar alguém. A famosa fofoca. Exagerar ou mesmo inventar alguma coisa. Inverter fatos para piorar a situação.

E o que mais me impressiona nesse tipo de crítica é a falta de uma razão justa para isso. Somos muito cruéis quando queremos. Muitas vezes só queremos porque sim, sem nenhuma razão justa. Falar mal de alguém que fez alguma coisa ruim para nós já é desnecessário, pois apenas estamos dando munição para nosso rancor e dificultamos ainda mais o “deixar ir”. Agora falar mal de alguém que nunca nos fez nada, é completamente sem sentido.

Conheço várias pessoas que levam a vida para criticar outras. Falam porque você fez algo ou porque deixou de fazer. Falam por puro recalque e inveja. Já ouvi até assim: “viu a fulana? Não confio nela mesmo, naquele mato tem cachorro. Ela nunca fez nada para ninguém, está sempre feliz, trata todo mundo bem. Isso não está certo!”

E o que a gente não se dá conta é que uma pequena crítica ou mesmo um comentário bobo podem virar um grande problema, uma rede de fofocas. Podem, inclusive, ter consequências pessoais ou de relacionamento, ou até profissionais.

Escutei uma vez que uma crítica feita, ou uma fofoca é como subir no morro com vários papéis picotados e jogá-los ao vento. Você pode até se arrepender de jogá-los e parar, mas nunca vai conseguir recolher todos os papéis que caíram. Não existe maneira de reverter o efeito do que é dito em cada uma das pessoas que escutou. Até porque não dá para saber para quantas outras pessoas aquilo foi repassado.

Escrevendo isso aqui eu senti um tremendo arrependimento por todas as vezes e todas as pessoas as quais eu julguei e fiz com que outros julgassem também. Quero parar de jogar meus papéis ao vento, mas peço desculpas àqueles que receberem meus papéis picotados já jogados.

Mas pensando bem sobre o assunto, acho que conseguiríamos reduzir bastante nosso julgamento se nos concentrássemos mais em nossas próprias vidas. Clichê, eu sei… Mas a pura verdade! Afinal, o que o outro faz e pensa é problema dele e não meu. E se me afeta, não é julgamento que se faz, mas um fato que se enfrenta. E, portanto, ao invés de julgá-lo e remoer isso, enfrente-o.

Amadurecer é, antes de tudo, ser mais você e se importar menos com o que outro faz de diferente de você. Quem vive de pré-julgamentos e preconceitos é porque ainda não cresceu e não entendeu que o mundo e as pessoas são bem maiores que sua própria vida.