Vivendo e aprendendo a jogar

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Eu sou uma negação para jogos de vídeo game. Já tentei várias vezes aprender, mas acho que a verdade é que tenho certo bloqueio mental. E a paciência me falta também. Me considero até uma boa motorista, mas em jogos de direção eu sou simplesmente horrível. Não consigo fazer o carrinho andar naquela na pista. Assim é também nos jogos de luta e de qualquer outro tipo. Nunca encontrei um joguinho de ação que eu consiga jogar sem parecer um asno. Do tipo coordenação motora zero.

JOgoDizem que azar no jogo, sorte no amor. Mas, pelo menos comigo, não é bem assim que funciona. Foi por isso que eu comecei a pensar que talvez o amor dependa de um certo jogo, e talvez por isso eu tenha tantas desventuras nessa área.

O amor não é um jogo. Mas todo início de relacionamento exige um certo joguinho. Antes eu era completamente avessa a isso.

“Não quero jogar, não gosto de joguinhos!” Eu disse uma vez para meu irmão, depois de uma das desilusões da vida. E ele me disse: “Você pode até não gostar, mas se não aprender suas regras, vai acabar aqui, chorando de novo.”

A verdade é que quando você conhece alguém que te interessa, você quer mostrar o melhor de você. É feito um maior esforço na conquista. E existe uma regra para ela. Isso não é ruim. Não é fingimento, nem mentira. Mostrar seu melhor lado faz parte. Ninguém começa dizendo: “olha, eu sou chata, eu não gosto disso e nem daquilo, e se fizer tal coisa nem olha na minha cara…”

Mas, assim como nos vídeo games e demais jogos, é preciso saber as regras do jogo e, dessa forma, aprender a potencializar seu lado bom, sua melhor característica.

Foi aí que eu comecei a entender que ele é necessário e está sempre presente. A questão é: como jogar? Qual tipo de jogo é justo?

Pensando nisso, ainda que não se tenha a famosa “manha”, facilita muito se você sabe bem quais são as regras e tiver uma estratégia para ele. O pior do jogo é quando você joga sem saber o que você está fazendo. Você sempre acaba errando. E pior, você erra sem saber por que está errando. O jogo fica meio às cegas.

A gente acaba jogando o tempo inteiro, mas sem saber quais são as regras dele e como é que se joga. E ainda que muita gente ache que existem regras universais para ele, eu acho que não. Esse é um jogo em que cada um faz suas próprias regras, e o outro, ao deparar-se com elas, vai decidir se quer ou não jogá-lo com você, dentro daquelas regras.

Todo mundo já ouviu, pensou, fez ou aconselhou alguém assim: “não responde agora senão ele vai achar que você está desesperada. Espera um tempo e responde.” Ou “você vai ligar para ela? Você está doido? Vocês ficaram ontem! Tem que esperar pelo menos 3 dias…”

E isso, ao longo dos anos, virou uma regra universal. Não demonstre interesse demais, senão ele(a) não se interessa. E começa um jogo chato e angustiante. O jogo do tipo: eu digo isso, para parecer que ele vai entender desse jeito, porque aí ele vai achar que eu disse isso e eu vou achar que ele entendeu assim.

E o problema com esse tipo de jogo é que cria um bloqueio mental. Eu simplesmente não funciono assim. Quando isso acontece comigo, eu fico olhando para a mensagem e pensando: “Meu Deus, o que eu faço agora?  Respondo ou não respondo? Respondo fofa ou chata? Respondo empolgada ou seca?” E no fim das contas, às vezes, eu acabo não respondendo pela simples pane mental do que fazer. Ou respondo e fico com o estômago doendo até a pessoa responder de volta e ver que está tudo bem.

Mas será que tem que ser assim mesmo? Eu concordo que interesse demais assusta. Ninguém quer parecer psicopata. Mas estar preso a um regra tão estrita também não deixa o jogo fluir. Porque a ideia do jogo do amor é a conquista. É mostrar quem você é e conhecer o outro de um jeito que desperte a curiosidade, que atraia o interesse. E para isso quanto mais simples melhor.

Acho que a regra universal para esse tipo de jogo deveria ser: siga seu coração! E faz o que te dá vontade de fazer. Ninguém é obrigado a estar com ninguém. Portanto, acho que sai na frente da disputa quem surpreende, quem faz mais do que o esperado. E eu chamo isso de jogo limpo.

Não vejo nenhum problema em jogar desde que se jogue limpo. Desde que as regras sejam claras e que todo mundo esteja satisfeito com elas. Eu preciso ser sincera ao apresentar as regras do meu jogo, para que a outra pessoa decida o seu. E possa escolher ficar ou sair. Se não faço isso, posso ter uma pessoa ao meu lado que vai se frustrar e sofrer quando o meu jogo não for bem o que ela imaginava.

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