Escolha e Renúncia

85 Flares Twitter 2 Facebook 83 Google+ 0 Email -- 85 Flares ×

escolha A vida é feita de escolhas. O tempo todo estamos decidindo o que queremos, como queremos e quando queremos. Isso não é novidade para ninguém. Mas o que a maioria das pessoas esquece é que toda escolha traz também uma renúncia. E quando se trata de relacionamento isso se torna mais verdade ainda. Você escolhe um e renuncia todos os outros. Não dá para ser diferente.

Esses dias eu resolvi ouvir rádio. Não sou muito fã, porque é sempre meia hora de propaganda para cada três músicas que toca. Mas, nesse dia, quando eu sintonizei uma estação estava tocando uma música que eu adoro. Aí eu resolvi dar só uma olhada nas outras estações para ter certeza do que eu queria ouvir. Tinha mais duas outras rádios passando músicas boas. Eu entrei naquele minutinho de crise de qual música seria a que eu realmente queria ouvir.

Em questão de segundos, quando eu finalmente decidi voltar para primeira rádio, porque era aquela música que eu queria ouvir, a música deu seus últimos acordes. E depois entrou nas propagandas. Eu, num ato desesperado, mudei para as outras duas rádios que tocavam música boa e aconteceu o mesmo. Propaganda e mais propaganda.radio-desenho

A verdade é que talvez eu não soubesse que tipo de música queria ouvir assim que liguei o rádio. Mas quando ouvi a primeira música eu soube. Não precisava ter mudado de estação. Mas ter dado a chance de ouvir a música completa. Afinal, não dá para ouvir todas as músicas ao mesmo tempo. Nem seria agradável, nem me satisfaria.

Assim funcionam, de forma simplista, os relacionamentos. O problema é que a gente sempre quer a achar a perfeição. O mais perfeito dos perfeitos entre o mais perfeito que pode existir para mim. E a gente esquece que existem milhões de pessoas no mundo. E dentre elas, um monte de gente que se encaixa no seu perfil, que te interessaria.

A “perfeição” de um relacionamento só se constrói com o tempo. Sem pressa. Forjado na rotina, nas diferenças de mundo e de criação, e na alegria compartilhada. E isso somente pode acontecer depois do principal: a escolha. Não existe ‘a pessoa certa’. Mas existe a pessoa que você escolheu e que com o passar do tempo foi se tornando cada vez mais “certa” para você e para o tipo de relacionamento que você escolheu viver.

Muita gente tem medo da escolha. Será que fiz certo? Será que ele é quem eu deveria ter escolhido? E se eu me arrepender depois? Tem perguntas com respostas complexas. Outras, talvez, sem respostas. Por isso surge a dúvida. E é completamente compreensível. Afinal, toda escolha demanda uma mudança de rumo e abre novas possibilidades. Mas a vida exige decisão. Não se constrói nada com “e se” ou “será”. É preciso maturidade para escolher e arcar com tudo que vem no pacote da escolha. Fechar os olhos e ir.

E o que eu tenho visto também é que muita gente tem medo da renúncia. Famosas frases como: “para que namorar e perder a liberdade?” “A demanda é muito grande, não dá para escolher um só.” Só que a renúncia vem no pacote. Pergunte para uma mãe se ficar sem sair uma noite porque o filho está doente é perda de liberdade. Com certeza ela dirá que não, porque para ela é amor. Ela fez a escolha dela, e arca com as renúncias como consequência.

Ter medo da renúncia só serve para complicar a escolha. Ela acontece em todas as situações. Não vivemos em função da renúncia, porque aí sim seria pesado e desconfortante. Mas focamos na escolha que fazemos. Não escolhemos porque nos encanta a renúncia. Mas renunciamos algumas coisas porque escolhemos.

RenunciaEscolher alguém é excluir outras pessoas que poderiam estar na minha vida. E depois que escolhi, farei outras escolhas e outras renúncias, que são consequências dessa primeira. Mas, para escolher é preciso conhecer. É preciso dar chance para que a pessoa se mostre como é. Sabendo, é claro, que essa escolha não é racional na maioria das vezes.

Assim como na música do rádio. Eu escolhi uma estação de rádio para ouvir. Precisei me privar de ouvir as outras. Senão nem escuto a que quero e perco as outras também.

É preciso dar a chance de ouvir a música até o final. Porque por algum motivo, o coração sentiu vontade de deixar naquela estação. E se ele escolheu, porque não conseguimos simplesmente segui-lo?

Deixe uma resposta