Amor em tempos de cólera

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images Estamos na Semana Santa e eu me sinto super empolgada pela chegada da Páscoa. Não só porque é feriado e dá para descansar um pouco, mas porque, pela minha crença, essa data é sinônimo de um Amor tão imenso que eu nem consigo mensurar.

Eu estava pensando na força que o amor tem de renovar todas as coisas. E que tão pouco a gente deixa que ele faça isso. Não sei se desaprendemos a amar. Mas acho que a vida atual nos faz endurecer o coração.

Quando eu era mais nova e ouvia a notícia de que alguém morreu em um assalto era uma comoção geral. “Como assim? Onde esse mundo vai parar?” Mas hoje em dia, vemos tantas formas sinistras de morrer e matar que virou banal. Só ficamos sabendo das mais chocantes. Mas quantas pessoas não morrem dia e noite por motivos bobos.

O que causa isso? Da onde vem tanto ódio, tanta disposição para o ruim? Claro que poderia fazer aqui toda uma análise política-educacional, mas ainda assim, acho que justifica, mas não chega ao cerne da questão. Realmente falta educação, políticas de governo, segurança… Mas a coisa já está tão feia que não sabemos o que fazer primeiro. Não dá para puxar o fio da meada, simplesmente porque está difícil de achá-lo.

E não só no nível governamental e estrutural da sociedade. As pessoas estão esquisitas. Tudo é motivo de briga. A raiva grita para todos os lados.

Se alguém dá seta no carro e tenta entrar na sua frente, quase bate e desiste de entrar, você buzina e xinga a pessoa como se a intenção dela fosse realmente fechar o seu carro, bater e te matar. Ninguém pensa: “opa, ele não deve ter me visto aqui.”

Nós estamos mais acostumados a julgar as pessoas para o ruim do que tentar compreendê-las. Não nos perguntamos nada, apenas reagimos. Estamos movidos pela raiva, devolvendo instintivamente. A qualidade que nos diferencia dos outros seres vivos – o poder escolher nossas ações e reações –  começa a ficar tão adormecida em nós, que muitas vezes agimos como animais.

E foi por isso que eu pensei na Semana Santa. Mesmo quando todo mundo grita pela cólera – “Crucifica! Crucifica!” – o amor vence todas as barreiras. O amor desconstrói a cólera. O amor modifica as estruturas.

Pensar através dos olhos do amor pode modificar tudo. E Falo aqui da totalidade do amor.Coração Gelado

Eu quero receber dos outros a compreensão. Eu sei que eu sou passível de erro e na maioria deles, posso machucar os outros mesmo sem querer. Eu sei que não sou perfeita, erro muito, mas sou uma boa pessoa. Então, devo admitir que todas as pessoas tem essa mesma faceta. Todo mundo erra e acerta o tempo todo. Ser bom ou ruim é uma decisão que podemos tomar a cada dia. Mesmo estando na mesma situação. Cada um tem o direito de ser exatamente aquilo que deseja.

Mas acho que poucos tem consciência disso e agem por inércia. Gritam “crucifica” porque todo mundo está gritando, mas não param para refletir se é isso mesmo que querem oferecer aos outros.

Ainda que se esteja em uma situação complicada, pode-se escolher entre o amor ou a cólera. Mesmo na cruz é possível ofertar amor. E mesmo diante do maior sacrifício pode-se oferecer raiva e indiferença. Tudo é questão de ponto de vista, de escolha.

E por isso eu sempre me pergunto, o que me move agora? O que é o causador das minhas ações? Eu reajo embasada em quê? E acho que é aí que entra esse amor redentor. Esse amor que nos dá uma nova visão das coisas. Esse amor que nos faz respirar fundo e pensar melhor. Não somente reagir. Não somente atacar como se estivéssemos em uma floresta lutando para sobreviver. Só nesse contexto faria sentido agir como se todo o resto do mundo fossem inimigos, concorrentes ou predadores.

Não. Que nessa Semana Santa, e daqui para frente, possamos dar um basta nessa cólera irracional. Precisamos deixar fluir esse amor que é tão próprio do nosso coração. Esse amor que nos faz humanos e nos devolve a capacidade de decidir.

Decisão essa que é pessoal e intransferível. E se eu decido por viver assim, tenho que respeitar as decisões dos outros também. Como disse Madre Teresa de Calcutá: “… Dê ao mundo o melhor de você, mas isso pode nunca ser o bastante. Dê o melhor de você assim mesmo. Veja que, no final das contas, é entre você e Deus. Nunca foi entre você e as outras pessoas.”

Uma ideia sobre “Amor em tempos de cólera

  1. Realmente, viemos a esse mundo para amar, mas, contraditoriamente, é o que menos se tem visto nos dias de hoje….
    Adorei o post!!!
    Parabéns Karê!!! Show!

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