Quer pagar quanto?

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mulher_dinheiroEstava conversando com meus irmãos sobre emprego, relacionamentos e coisas que as pessoas são capazes de fazer por dinheiro. E um deles disse: “até o dinheiro tem seu preço!”

Realmente interessante isso. Podemos escolher o que quiser e fazer o que quiser com a nossa vida. Mas em tudo pagamos um preço. Só é necessário saber exatamente o que você está disposto a pagar pelas suas decisões.

Todo o assunto começou pela história de uma menina linda (e provavelmente só isso) que chegou em um restaurante com um cara bem mais velho – e nada interessante, nem atraente, ao menos para mim – e que se sentaram ao meu lado. E comecei a prestar a atenção na conversa deles. E o encontro funcionava mais ou menos assim:

– Eu sempre ando na minha lancha para espairecer. Você gosta? (Risos da menina)interesseira

– Gosto de ir para o bar do Porcão durante a semana, para conversar e ver o que acontece… Você já foi lá? (Risos entusiasmados da acompanhante)

– Você já andou de Ferrari? É uma sensação muito boa. Depois te levo para dar umas voltas. (Mais risos do troféu)

E foi assim por horas. Ela não disse uma palavra a não ser rir de tudo o que ele falava. E ele não disse nada além de contar vantagem pelo dinheiro dele.

E quando eu terminei de contar a história, meu irmão brincou: “Você não faria isso para se casar com um homem rico?” E a resposta, sem pestanejar, foi: “jamais!” Até que eu gostaria de ter muito dinheiro. Quem não gostaria? Mas ele nunca foi a finalidade na minha vida. Dinheiro é aquilo que proporciona as coisas que eu quero de verdade. Eu preciso de dinheiro para ter as coisas que quero, portanto trabalho e economizo para isso. Não o contrário.

Nessa hora lembrei de uma frase interessante: “uns tem preço, outros valores.”

E aí é que veio em minha cabeça essa pergunta: o quanto eu estou disposta a pagar por cada escolha da minha vida?

Porque ainda que o pagamento não seja em moeda corrente, cada escolha tem uma consequência, um preço. E se não quero arcar com ela, tenho que repensar minhas escolhas.

Será, realmente, que valeria a pena, por exemplo, ser infeliz, estando ao lado de alguém que eu não amo, só pelo conforto que essa pessoa me proporciona? Acho qualquer preço muito alto a pagar por infelicidade e insatisfação.

Será que vale a pena ter poder a qualquer custo? Mesmo indo contra meus princípios, meus valores, correndo o risco, inclusive, de perder minha essência? Ou poder é só consequência do trabalho que realizo e da pessoa que sou?

Não sei. Acho que as finalidade e meios andam meio confundidos atualmente. Quantas vezes estamos realmente focados na nossa finalidade, naquilo que escolhemos como objetivo na vida, e acabamos fazendo várias coisas que não nos levam até lá. Ou até transformamos os meios de alcançar minhas metas em finalidades em si mesmo.

Quem, por exemplo, não tinha na cabeça um ideal de trabalho, de realização pessoal, e de repente se viu trabalhando somente pelo salário? Como se o salário fosse o único fim da sua vida e da sua existência.

E foi pensando nisso que me veio essa ideia: eu quero ser feliz! E essa é a minha principal escolha. E a direção da minha vida. As outras são consequências dessa. E isso depende de trabalho árduo. Aprender a economizar dinheiro para conquistar algumas coisas que incrementam a minha felicidade. Ser correta, íntegra e honesta. E tudo isso custa muito. Custa tempo da minha vida. Custa renunciar certas facilidades. Custa não gastar dinheiro com alguns supérfluos. Mas esse preço eu estou disposta a pagar. Porque eu sei que dinheiro, trabalho árduo e integridade são meios para atingir meu objetivo principal: ser feliz.

Mas se o dinheiro, o poder e a fama são a finalidade de uma vida. Isso também tem um preço e, às vezes, bem alto a se pagar.

E a verdade é que a vida sempre cobra seu preço. E saber qual a finalidade da minha vida, e quais os meios para atingi-la, garante que eu não seja pega de surpresa quando o acerto de contas chegar.