A arte do (des)encontro

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encontroEsses dias eu li um texto muito bacana sobre a suposta falta de homens interessantes no mundo. Até vi uma frase que dizia assim: “Homem é que nem emprego. Não está faltando no mercado, o que falta é qualificação”. E é claro que muitas vezes eu também me pego pensando “onde eles estão se escondendo?”

Não gosto desse discurso de “homem não presta, homem é tudo igual”. Não gosto porque simplesmente não concordo. Conheço muitos caras bacanas e interessantes. Tenho ótimos exemplares em casa e muitos amigos que são sensacionais. E se homem é tão ruim, e não vale nada e ninguém presta, ou fica sozinha, ou arranja uma mulher. Vai ver o problema também pode estar em você e nas suas escolhas, não é? Claro que tem muito homem que ninguém merece. Muita imaturidade. Muita buchada de bode se achando caviar. E muitos homens superficiais. Mas não diria nem de longe ser a maioria.

E ao mesmo tempo que ouço esses discursos anti-macho, escuto também muita reclamação masculina: as mulheres não querem nada com a vida; estão todas desesperadas; elas estão atacando, partindo para cima mesmo; são todas interesseiras; só querem aqueles que tem carro do ano e dinheiro; e por ai vai. Não que eu discorde totalmente também. A coisa está feia mesmo. Mas também não posso dizer que é a maioria, nem perto disso. E a regra aqui é a mesma. Se está tão insatisfeito com as mulheres e ninguém presta, ou fica sozinho ou acha outro homem. Porque eu conheço várias mulheres sensacionais, dessas que qualquer um gostaria de ter por perto.

E eu tenho me perguntado por que essa dificuldade de encontrar pessoas legais? Porque tantas vezes parece que está tudo coisado? Porque apesar de ter pessoas bacanas e interessantes parece que não tem ninguém? Nem sei se existe uma resposta plausível para essas perguntas. Mas falando disso esses dias com um amigo, lembrei-me de uma frase bem bacana de Vinícius de Moraes que diz: “a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida.”

Acho que talvez isso explique um pouco. Faz parte dos desencontros da vida esse jogo de pique-esconde. Às vezes encontramos pessoas simplesmente maravilhosas que não tem química, não dá liga. Outras vezes encontramos uma que surge uma atração danada, mas que não vale a pena. Achamos alguém perfeito para nós, mas nós não somos o que aquela pessoa procura, ou simplesmente não é o melhor momento para ela. E algumas vezes, raras vezes é verdade, acontece de essa pessoa maravilhosa ser exatamente o que você esperava. E melhor ainda, ela também esperava por você. E aí acontece o encontro. Aquele de um em um milhão. Timing perfeito. A pessoa certa no momento certo.desprezo1

Adianta maldizer todos os homens do mundo? Adianta classificar todas as mulheres como interesseiras? Não dá para agir como crianças mimadas. Porque é isso que parece. Quando você tira um brinquedo da criança ou a proíbe de fazer algo, ela te responde com: “eu nem queria mesmo! Isso aí é bobo, chato e feio.” Pode até ser que ela faça birra no início, mas se não consegue o que quer, desdenha. E a máxima é a mesma: quem desdenha quer comprar. Até porque essa mesma criança pode repetir mil vezes que não queria. Mas basta você oferecer o brinquedo de novo e ela, sem nem pensar duas vezes, pega o brinquedo e vai ficar feliz da vida.

Assim eu vejo muita gente agir. Afirma não acreditar nas mulheres/homens, que são isso, e aquilo, e aquilo outro. Mas basta achar alguém que se disponha a estar junto e a pessoa em um instante diz que não era bem assim, que nunca disse que ninguém prestava.

E também tem muita gente que fala o tempo inteiro que mulher é interesseira, que homem não presta e bla bla blá. Porém, só age em busca desse tipo de pessoa. Malha feito maluco só para ficar grande, quer ter carro do ano e dinheiro com o único intuito de “pegar mulher”. Vestem-se como se fossem fazer programa na esquina. E falam como se nunca precisassem de ninguém, e como se homem fosse somente uma diversão. E é óbvio que atraem o tipo de gente que gosta disso. E depois choramingam dizendo: “Está vendo? Não disse? Ninguém presta!”

encontro2Não que você não possa agir como quiser, fazer o que quiser, vestir o que quiser. Mas é preciso ser coerente com aquilo que se é e aquilo que se busca. A vida já se encarrega naturalmente do desencontro. Mas se você está no lugar errado, do jeito errado para aquilo que você busca, não venha reclamar e colocar a culpa nos outros. Não adianta nada estar no show de pagode querendo encontrar roqueiros.

Até porque muitas vezes, buscando a pessoa que não é o que você quer, e ainda ficar dando voltas nos seus estereótipos, pode fazer você perder pessoas interessantes que poderiam dar vida ao seu mundo.

E é por isso que eu repito para mim mesma esse mantra:

Olhe ao redor. Deixa a vida marcar seus encontros. Pegue mais leve nos desencontros dela. São completamente naturais. Toda pessoa entra em sua vida por um motivo, mas muitas vezes sai dela por um motivo muito maior. Dê-se a chance de conhecer gente nova. Mantenha o foco no que você é e o que você quer. Porque para encontrar alguém você precisa pelo menos se colocar no caminho.

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