Balzaquiando…

83 Flares Twitter 1 Facebook 82 Google+ 0 Email -- 83 Flares ×

Muita gente fala da crise dos 30 anos. Não sei dizer o que homens sentem aos 30. Mas dizem que as mulheres surtam, sofrem, entram em pânico. Outros falam que essa é a idade do auge da mulher. Vários livros escritos sobre isso. Muita teoria e especulação sobre o assunto. A única coisa convergente entre todos é que existe uma mudança real nesse estágio da vida da mulher.mulher_de_30

Eu tenho que confessar que a vida passou mais rápido que eu imaginava. E quando eu ainda estava curtindo meus vinte e poucos anos, me deparei com a chegada dos trinta. Não sei se vivi com muita intensidade meus anos, mas chegar aos trinta não foi esse desespero que muita gente pinta.

Claro que eu me assustei. Claro que surge uma sensação no peito de que você quer mais tempo para viver. E que está tudo indo muito mais rápido que o esperado. E também é muito difícil confrontar a realidade de que talvez você não tenha realizado nem metade daquilo que imaginou ter quando chegasse nessa idade. Mas internamente, aos trinta anos, eu senti uma sensação de segurança e capacidade que nem todos os meus vinte anos poderiam me trazer.

Talvez o maior desafio é chegar aos trinta solteira. Até porque o relógio biológico é cruel e não aceita negociações. E isso acaba afetando de formas diferentes a cada mulher.

Mas nesse quesito de estado civil, sinceramente, mais do que não estar preparada para idade que tenho, eu senti que o mundo não está preparado para nos receber assim. Existe muito estereótipo, e às vezes até preconceito mesmo. Do tipo: feliz a mulher que casou e permaneceu casada antes de chegar aos 30. As outras, que aceitem sua condição e sofram as consequências.

E chovem piadinhas e especulações. É preciso aprender a levar na esportiva e ter muito sangue frio. Todo mundo quer saber o que você está fazendo de errado para ainda estar solteira. Como se a culpa de estar solteira fosse sua. Como se isso fosse culpa de alguém.  E aí vem a crise mesmo. Porque você realmente começa a imaginar que alguma coisa está errada.

Qual mulher solteira de trinta anos nunca ouviu um “você é muito exigente”? Essa afirmação é um tanto cruel. Sempre me soa como: “você está velha e solteira, correndo risco de ficar sozinha para o resto da vida e por isso não deveria ter critérios. Qualquer um que aparecer você tem que agradecer ao céu e não dispensar”.

Sem contar que ninguém tem coragem de admitir isso para você, mas, para a maioria, estar solteira na sua idade é sinônimo de ser encalhada ou desesperada. E é exatamente assim que muita gente te trata. Principalmente os homens. Morrem de medo da gente. Porque sem nem ao menos te conhecer, por qualquer atitude sua, já te colocam em um desses quesitos.

E eu, muitas vezes, me sinto sem saber como agir. Se me freio, fico na minha ou faço joguinho. Ou se vou direto ao ponto e corro o risco de assustar o outro. Porque nós, balzaquianas solteiras, não somos mais garotinhas. Somos mais livres que com vinte anos. Não temos mais tanto medo de ser quem somos e não buscamos a aceitação dos outros a todo custo. Muitas vezes falamos o que queremos e vamos direto ao ponto, porque não temos a mesma tolerância de meninas mais novas. E não temos mais paciência com historinhas bobas, indecisão e falta de atitude.

radical_chic-711898E para nos acalmar tem a frase que diz: os trinta são os novos vinte. E eu até concordo que na maturidade é bem isso mesmo. As pessoas estão amadurecendo mais tarde hoje em dia. Mas para nós, Balzaquianas, os trinta são os trinta mesmo. Cheio de cobranças amorosas que os vinte não tinham. Com vinte tudo pode, tudo é normal. Mas com trinta… Aí não. As coisas são diferentes. Não para nós, mas para os outros que convivem conosco.

Mas agora eu explico para quem não entendeu. Nós somos normais, mesmo solteiras. Temos os mesmos anseios, sonhos, tristezas e alegrias que todas as outras pessoas. O único diferente é que estamos na casa dos trinta anos. O que todo mundo um dia terá ou teve. E se estamos solteiras, não é castigo, não é exigência, não é nada de errado ou feio. Só que a pessoa especial que apareceu aos vinte anos, ou antes, para você, ainda não apareceu para nós.

E o desespero, a desilusão, a vontade de estar com alguém são na verdade alimentados por cada um de vocês que nos tratam como se, enquanto estivermos solteiras, somos pessoas miseráveis e infelizes.

Ou seja, a famosa crise dos 30 não é necessariamente de dentro para fora. Até tem crises nesse sentido. Acho que toda mudança de patamar na vida causa uma certa crise, ou reflexão, no meu modo de ver. Mas essa crise que o povo fala, é mais criada pela sociedade que não nos aceita fora do “padrão”.

Pois eu estou aproveitando o auge. E muito. Até então é a melhor fase da minha vida. E estou trabalhando muito nela para que não se torne declínio nunca. Que seja um crescente. Para o alto e avante.

4 ideias sobre “Balzaquiando…

  1. Amei chegar aos 30! Adoro estar nos 30! Nunca me senti tão confiante e certa das minhas atitudes quanto nesta década que estou atravessando…

  2. Amei Karê! ô povo chato, né? Cruzes! Não me trocaria hoje por duas de mim aos quinze anos…nunquinha!! E viva nós balzacas!
    Ah..e cobrar está no discurso das pessoas.
    A cobrança hoje é para namorar.
    Quando começar vem a pergunta: “e o casamento, é pra quando??”.
    Daí você casa e vem: e neném? Não vem não?
    Daí você tem o primeiro e vem: vai parar por aí?? Etc etc etc…

    Conversa com minha mão que vou viver meus 30! kkkk

  3. Exceleeeente, amiga!!! Ontem mesmo estava conversando com o Jorge sobre isso!!!! 🙂

Os comentários estão fechados.