Clichês do amor

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clichê 1

Dizem por aí que não há nada mais clichê que o amor. Realmente. Não tem nada mais batido, repetido, escrito e falado que o amor. E ainda que não exista regras para o amor, em todas as histórias, em todos os lugares, sempre tem alguém que se apaixona. Essa é a regra! O amor é a regra!

Mas ouvindo certos clichês referentes aos relacionamentos, resolvi me deter em alguns. Por exemplo:

Os opostos se atraem. Será? Acho que merece um esclarecimento. Porque se envolver com alguém totalmente diferente de você não deve ser nada divertido. Na comida às vezes pode funcionar, porque a pessoa come exatamente aquilo que você rejeita. Mas como decidir o restaurante onde vocês irão? No gosto musical acho bem complicado. Imagina um querendo ouvir funk e o outro música clássica! Agora em temperamento talvez funcione. Talvez. Até seria interessante se outro pudesse completar tudo aquilo que te falta. Mas deve ser um caos juntar alguém que é caseiro com outro super sociável, por exemplo. Ou alguém muito estourado com outro muito calminho. Pode até rolar um equilíbrio, mas até lá muita água rola embaixo dessa ponte. Acho que a atração não depende de oposição, mas de disposição.

Eu amo seus defeitos. Será que ama mesmo? Os defeitos? Não sei… Acho que se ama o outro, mesmo com os defeitos que ele certamente tem. Ama-se a pessoa. O pacote. Mas acho que os defeitos estão mais para serem aceitos. Encontra-se uma forma de conviver com eles. Mas amar os defeitos? Até Jesus brigava com os defeitos dos discípulos (“homens de pouca fé”, “Como sois medrosos! Ainda não tendes fé?”, “não sabeis o que pedis” e várias outras passagens). Os defeitos são como aqueles teste de resistência. Se você consegue passar a prova, você merece o prêmio. Não há como fugir deles, então se coloca no pacote.

Só se esquece um amor com outro amor. Eu me deparo com essa frase e não consigo afastar a ideia de que se foi esquecido, provavelmente não era amor. Porque amor marca. Fica gravado como cicatriz na alma. Mesmo que tenha doído, que tenha sido ruim, que tenha machucado. Se era amor não vai embora assim. E eu acredito que somente se supera um amor quando a dor acalma no peito. E você começa a conviver pacificamente com ela. Sem brigas, sem vontade de fugir do mundo e de você mesmo. O amor não vai embora. Ele só perde a força e a forma. E só aí é que se pode pensar em um novo amor. Senão você vai usar alguém, que provavelmente te ama, para tapar buraco de um amor mal resolvido.

Eu só tenho olhos para você. Parece lindo quando se escuta a primeira vez. Mas sem querer desiludir os mais românticos, isso não existe. E nem você quer alguém que só te enxergue no mundo. A ideia é compartilhar. Mundos, histórias, amigos, vida. Não ter alguém ao seu lado que respire você, pense você, viva você. A escolha do outro se firma exatamente na renúncia. É saber que existem milhões de possibilidades boas, mas é essa pessoa que você quer ao seu lado. Portanto, como diria o ditado: barquinho ancorado no píer também balança. Não tem mal nenhum olhar outras pessoas e reconhecer que são interessantes. Desde que isso sirva para reafirmar a escolha já feita. Porque senão for assim, é melhor rever o relacionamento.

Foi amor à primeira vista. Foi mesmo? Será que é possível amar alguém que não se conhece? E se a pessoa for clichêtotalmente o oposto daquilo que aparenta? O amor se fundamenta exatamente no conhecimento do outro. Na aceitação da pessoa por tudo que ela é. Amamos mais ou deixamos de amar quanto mais conhecemos alguém. Acho que nesse caso seria mais uma “atração” à primeira vista. Um “interesse” à primeira vista. Uma “sensação boa de que aquela pessoa vai fazer parte da sua vida” à primeira vista. Isso sim, quem nunca passou, não é?

O amor é cego. Com esse eu preciso concordar. Apesar de que eu mudaria um pouquinho a frase só para explicar melhor. “O amor nos faz cegos”. Acho que ficaria melhor assim. Acredito que, de certa forma, o amor se transforma em óculos especiais que colocamos para enxergar quem amamos. Não que você não enxergue mais os defeitos da pessoa, mas eles se tornam apenas um detalhe dentro do pacote do amor. Apenas uma dificuldade para deixar tudo mais interessante. Mas se esse amor te faz completamente cego, a ponto de não conseguir enxergar nem os defeitos mais gritantes, aí a coisa precisa ser revista.

Mas enfim. Essas são apenas algumas frases muito conhecidas e ditas por aí. Porém nem só de frases feitas vive o homem, e muito menos o amor. E, para mim, o mais legal do amor é exatamente a capacidade que ele tem de ser novo, único e especial mesmo sendo tão clichê.