Duas faces da mesma moeda

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Essa última semana eu ouvi histórias parecidas de algumas amigas, com desfechos diferentes. E me chamou atenção como podemos ver a mesma situação por ângulos diversos.moeda

As duas amigas estão naquela fase onde você está saindo com uma cara bacana. Elas se sentem envolvidas e gostam deles. Eles se falam todos os dias, tem apelidos um com o outro. Estão sempre juntos, dão satisfação de sua vida. Ou seja, praticamente um namoro, sem que seja oficial.

O ponto é que uma me falava da agonia que era não saber se estavam de verdade namorando, ou se, pelo menos, era esse o caminho que estavam trilhando. E o fato de gostar de estar com ele, de sentir sua falta, de fazer planos e não ter muita vontade de estar com outra pessoa, era predominante. Mas não conseguia expressar isso abertamente por não saber se ele sentia o mesmo. E não queria necessariamente colocá-lo na parede.

Já minha outra amiga tinha medo do compromisso. Não parece saber lidar muito bem com a situação de ter alguém que gosta dela. Sente medo de confiar. Enquanto não são namorados, oficialmente, ela não pode cobrar nada dele e nem se irritar por algo que supostamente ele vai fazer contra ela. E assim eles estão livres. Ainda que não queiram estar. Como se prevendo que ele vai decepcioná-la, ela pudesse evitar isso não estando de verdade com ele.

O que eu pude perceber nos dois casos é a dificuldade em simplesmente se deixar sentir. O quanto pode ser difícil deixar rolar, deixar as coisas acontecerem. O famoso seguir seu coração.

Eu sinto que hoje em dia estamos tão perdidos sobre quem somos e sobre o que podemos exigir ou não, que criamos um medo de simplesmente seguir a intuição. E ela, muitas vezes, é muito mais sábia do que nosso racional.

Relacionamentos não são ciência exata. Eu faço isso, o outro responde assim e então chegamos nesse ponto. Se não agimos com o coração, se não unimos corpo, mente e emoção, não seremos verdadeiros. E o pior, não teremos aquilo que desejamos, provavelmente porque, por medo, nunca falaremos o que seria isso de verdade.

Mas eu entendo o medo. Ele é real. Ele tem fundamento. Quando eu estava na faculdade, em uma aula de filosofia, o professor falou de um raciocínio de um filósofo sobre o medo de mostrar quem você é. Infelizmente não consigo me lembrar quem era. Mas o pensamento era mais ou menos assim: eu não mostro tudo o que sou, porque isso é tudo o que tenho, e se você não gostar, eu não tenho mais nada para te oferecer.

Ficamos com tanto medo da não aceitação, da rejeição, de se entregar demais e não ser correspondido, que não falamos do assunto, que criamos subterfúgios e esconderijos. Só esquecemos de que isso pode contribuir e muito para não criar vínculos verdadeiros. E daí é só um passo para aquilo que mais se teme: rejeição, não-aceitação e entrega solitária.

superfície 1Porque se eu não me entrego completamente eu provavelmente estarei me preservando e ficando mais tranquila para não me machucar caso esse romance não dê certo. Mas se eu não me entrego totalmente, eu também não posso esperar que o outro o faça, e logo teremos um relacionamento sem profundidade, sem verdadeiro compromisso. E isso, com o tempo, pode se transformar em um grande abismo e causar a separação. E a pergunta vai ser inevitável: não me entregar de forma total me garante que não me machuque ou causa um machucado maior por não ter aquilo que quero?

É quase como querer pagar um curso de mergulho numa praia paradisíaca, porém falar ao instrutor que só quer descer um metro. Você pode até experimentar algumas coisas, ver alguns peixinhos, achar bonito e interessante. Mas as melhores experiências não estão na superfície. Você vai precisar descer cinco, dez metros, talvez mais, para vivenciá-las. Mas para descer isso tudo é preciso vencer o medo e criar seu jeito de lidar com o tubo de oxigênio, pés de pato e demais equipamentos necessários.profundo

E o que talvez fique mais perceptível é que tanto na superfície quanto na profundeza, o medo e a possibilidade do perigo estarão presentes. O que muda é a intensidade das experiências vividas e a tranquilidade de ter feito e vivenciado tudo que poderia. E a questão mais uma vez será a escolha.

2 ideias sobre “Duas faces da mesma moeda

  1. Ana já venho acompanhando o seu blog a dois meses, e acho muito interessante a sua abordagem. Concordo com sua posição, mas acredito que deva existir uma vontade muito maior que nossos medos, para que aconteça uma entrega e vc realmente se mostre para a outra pessoa.
    Não é fácil mergulhar quando não se tem um barco lá em cima te esperando, mas quando vc se sente seguro o mergulho se torna natural e prazeroso, e isso só o tempo e a convivência te traz.
    Um grande abraço e parabéns pelo texto.

    • Muito legal o seu comentário! Concordo com você, é preciso ter um ponto de segurança para poder se lançar. Obrigada pela participação!

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