Teorizando a prática ou praticando a teoria?

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teoria-x-prc3a1ticaEu sempre falo muito das coisas que acredito ser importante em um relacionamento. Acho que já listei várias delas em meus textos, e hoje fiquei pensando o quanto tudo isso deveria ser simples. Como tudo isso deveria ser menos teoria e mais ação.

Talvez esse seja um dos meus grandes defeitos: teorizo demais. E talvez, também, por tanta teoria a coisa pareça muito mais séria e pesada do que deveria ser. Não estou contradizendo o que já escrevi. Realmente acho que os relacionamentos têm várias facetas, e que nós devemos nos atentar a elas. Mas também me peguei pensando que as coisas acontecem naturalmente. Não dá para ficar pensando em tudo que é preciso fazer ou deixar de fazer na hora em que me relaciono com alguém. Ficaria completamente mecânico.

Lembrei-me de um livro que li faz um tempo sobre treinamento e esporte. O mais importante, dizia o livro, é que o atleta possa incorporar em seu Modus Operandi as técnicas e as melhores formas para sua performance. Mais importante do que ter claro o que deve ou não fazer.

Lembrei de quando eu era pequena no colégio e ia para Educação Física. Aquilo foi metade do meu problema de baixo desempenho nos esportes com bola. Lembro sempre que a professora explicava a técnica e ia corrigindo todo mundo insistentemente. Depois a gente tinha que fazer o exercício. Toda vez que eu pegava na bola me sentia em pânico. Era um monte de “não faça isso”, ‘tem que ser assim”, “coloca a mão assim”, que eu embaralhava tudo. Podia até sair o que ela estava pedindo, mas era mecânico, não tinha correspondência em mim. Era sair da aula e eu esquecia tudo até a aula seguinte.

educacao_fisicaDepois que eu virei professora – não de Educação Física, afinal eu falei sério sobre meu baixo desempenho – eu comecei a perceber como era diferente quando eu ia direcionando e dizendo o que ou não fazer do que quando eu simplesmente deixava fazer e só ia monitorando para um melhor desempenho.

Descobri que a gente não aprende com desenvoltura na pressão, na raiva, na coação. Flui muito melhor quando a gente deixar acontecer. Quando a gente põe a mão na massa e vê no que dá. Claro que é preciso intervir, aprender, ler um livro, pedir ajuda. Mas o aprendizado verdadeiro parte da alegria, da satisfação, do prazer naquilo que se aprende.

Acho que foi essa minha reflexão da semana. A leveza do deixar acontecer. Mais do que teorias, o relacionamento acontece na prática. Quando a gente se abre a aprender e a se deixar tocar pelo outro.

Pode ser maravilhoso encontrar alguém que te entende, te atrai e se dispõe a caminhar contigo. Mas também tem sua graça ouvir uma cantada tosca, encontrar um monte de possibilidades, contar as histórias mais inacreditáveis para os amigos. Tem seu valor descobrir que essa não é a pessoa que você queria. Que você pisou na bola e talvez não tenha como reparar. Que entre todas as frases que você poderia dizer naquele momento de paquera você escolheu a pior. Que você não tem como evitar as feridas sempre. Que tem gente que é um bom divertimento, mas não uma excelente companhia. Que ficar só, tem seu charme e sua importância. E que sua melhor companhia sempre vai ser você mesmo.

A vida não é feita só de erros e acertos, mas de vivências. E as experiências só acontecem na leveza. E nossas maiores aprendizagens sobre o relacionar-se não estão em um livro, blog ou na fala dos amigos. Mas nas histórias da nossa vida, no nosso cotidiano e no que a gente constrói ou não com as pessoas.

E toda a teoria vai virando prática a partir do ponto em que se incorpora em nosso viver. Não penso nela, mas atuo com ela. E da prática vem novas teorias, porque surgem novos aprendizados.

Escrever esse texto me fez lembrar desses tantos “aprendizados” que a vida me deu. Momentos únicos, hilários, difíceis e tão essenciais para o que eu sou hoje. E dentro dessa nostalgia, eu decidi pegar a bola e jogar. Não por técnica ou por necessidade, mas pelo puro prazer de jogar. De ver em mim o que de verdade eu aprendi com o tempo, e o que ainda posso ser melhor.

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