Inteira sim, pronta nunca!

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metadesEu vinha sofrendo com um problema de saúde que culminou em uma cirurgia um pouco difícil, por ter afetado o funcionamento de alguns órgãos. Além dos vários dias de reflexão – de molho – minha limitação me fez pensar muito na necessidade de ser inteiro.

E o que é ser inteiro? É ter tudo que se julga necessário? É estar completo? Como um carro com todas as peças disponíveis? Como uma máquina que só funciona quando todas as peças estão presentes e no lugar correto para fazer o que é previsto? Será que é assim que a gente funciona? Será que isso é ser inteiro? Isso é ser completo? Será que nós podemos ser assim?

Atualmente se fala muito na necessidade de ser inteiro, de estar inteiro. E eu concordo, acho importante mesmo ser inteiro. E por isso mesmo me veio essa ideia de como sê-lo se nem tudo em mim funciona. E não falo isso só fisicamente. Quantas vezes não funcionamos bem por diversos motivos. Emoções, psicológico, corpo, alma e tudo o que nos faz ser alguém.

Se pensarmos como máquinas, realmente quem não “funciona” está quebrado. É menos, não tem capacidade. É insuficiente.

E quantas vezes tratamos assim aos outros. E fazemos pior ainda, tratamos assim a nós mesmos. Acreditamos que nossas falhas, nossos “mau-funcionamentos” nos fazem incapazes de sermos aceitos, amados e portanto, menos inteiros.

E que incrível é pensar que somos inteiros quando somos exatamente aquilo que somos. Não uma invenção, não um protótipo, não uma cópia de outros, não um padrão. E ser aquilo que sou, é aceitar aquilo que tenho: qualidades, limitações, falhas, potenciais, emoções, corpo e pensamentos. Isso é ser completo. Isso é ser inteiro.

quebra-cabeca4O que faz o quebra-cabeça ser completo é ter todas as peças que ele contém. Não é ter mais peças, ou ter peças mais brilhantes, mais bonitas, maiores. É ter exatamente as peças com as quais ele foi feito. Do tamanho que foram feitas, com o desenho que tem e a quantidade pensada para ele. E o que torna o quebra cabeça especial é o que todas essas peças são capazes de ser juntas. E quando montamos o jogo e olhamos para ele o vemos completo, inteiro.

E foi isso que veio à minha cabeça. Ser inteira é ser tudo que sou capaz com as peças que tenho. Porque elas fazem de mim suficiente. Não importa a quantidade, o modelo, o funcionamento de cada um. Porque é no todo do que eu sou, que vejo minha inteireza e minha suficiência.

Mas o quebra-cabeças é estático. Compramos com um número fechado de peças e com o modelo certo. Sabemos exatamente o que ele vai ser quando montado. Isso não funciona para nós. Porque ainda que já nascemos com todos os elementos necessários dentro de nós, somos dinâmicos. Mudamos a todo momento. Reorganizamos nossas “peças”. Criamos novas possibilidades, enfrentamos desafios.

Mas nunca deixamos de ser inteiros se entendemos que somos o suficiente. Se entendemos que tudo que somos é tudo que precisamos. Tudo que eu modifico, que eu cresço, que eu desenvolvo, é um acréscimo. É uma melhoria no pacote. Mas o que sou agora, nesse momento, é suficiente. É todo o necessário.

Entender essa suficiência é ser inteiro.puzzles

Mas prontos? Ah! Aí é outra história! Acho que não estaremos nunca. Porque a regra da vida é a mudança. E a nossa vida é um quebra-cabeças infinito, com milhões de possibilidades e novas combinações. Quando achamos que finalmente nos conhecemos, que agora realmente sabemos a regra. O andar da vida vem, e muda tudo. E nos faz partir para outro lado. Faz-nos olhar de outro ponto. E nos faz ser inteiros de outra forma.