Xô, expectativa!

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Expectativa1Faz tempo que essa ideia de caminho, e de processo, tem me rondado. Nós, seres humanos, somos muito imediatistas. Queremos tudo para ontem e com o resultado esperado, ou seja, perfeito. Não é a toa que sofremos tanto de ansiedade. Essa necessidade imensa de controlar tudo que acontece, de querer que tudo aconteça em tempos mágicos e com uma perfeição inquestionável. E se fazer isso com coisas já é cruel, imagina quando fazemos isso com pessoas. Criamos expectativas enormes, o que gera uma ansiedade maior ainda. E nos frustramos quando o outro não se encaixa na nossa perfeição.

É impressionante como a gente tenta controlar tudo. Eu comecei a observar e fiquei impactada como é difícil deixar as coisas fluírem. Conhecemos alguém e a mente já viaja para saber tudo que é possível ser com aquela pessoa. Pensamos em tudo, nos mínimos detalhes. E aí, na primeira coisa que a pessoa não segue a “regra”, a gente fala: “não vai dar certo, ele(a) é muito isso ou aquilo, ou não é nada isso ou aquilo…”.

E quando temos que resolver qualquer coisa com o outro? Imaginamos mil vezes a mesma conversa. Perguntamos e respondemos às nossas perguntas. Tentamos pensar em todas as possibilidades de respostas. E o coração já acelera só de pensar no momento. Vamos para ele completamente munidos de todas as palavras.

Inclusive, algumas vezes, nos irritamos previamente com a pessoa só porque pode ser que ela responda de tal forma e eu não vou gostar. E quando vamos falar com ela, já partimos da raiva. Naturalmente que o outro não entenda nada.

E por ai vai. O resultado das coisas sempre causa medo. Nunca sabemos o que vai ser. E mesmo que seja ruim, o melhor era que soubéssemos antes. E esse medo nos faz querer controlar o processo. Como se isso fosse certificar que o resultado será exatamente o esperado. Só que não é. Simplesmente porque na verdade queremos controlar o incontrolável.

Veio à minha cabeça agora o cinema. Quem não esteve na situação de ir ao cinema para ver aquele filme super-recomendado ou que alguém disse que era o melhor, o mais engraçado? Você chega na maior empolgação, esperando ter uma experiência única na sua vida. cinemaCria a expectativa de ver o melhor filme que pode existir e isso não acontece. O filme é bom, mas não é isso tudo que estão falando.

Mas já aconteceu também de ir ao cinema sem pensar em um filme específico ou sem opiniões sobre ele? E nas vezes em que isso me aconteceu, já vi filmes fantásticos! Nem todos, é claro. Mas mesmo aquele filme bom do exemplo acima, talvez eu achasse maravilhoso se não tivesse tanta expectativa de que ele fosse bom.

Aprendi uma palavra que rompeu com esse meu ciclo vicioso: encantamento. Nele, as coisas não precisam ser perfeitas. Somente ser o melhor que podem. A ansiedade controla, o encantamento cuida. E é um cuidar para que tudo seja feito da melhor forma possível.

Sentir o encanto das coisas. Deixar que fluam sem interferência. Somente cuidando para seu melhor desempenho. Se o resultado não é o esperado, não tem problema, desde que o esforço máximo tenha sido feito.

Sair dessa prisão das expectativas. Parar de esperar dos outros e das coisas. Quando vivemos em função disso, perdemos a espontaneidade e temos uma facilidade enorme de frustração. Guiamos nossa vida para a insatisfação. Porque tudo acaba ficando aquém da perfeição. Sempre poderia ser melhor, ser mais. Sempre falta alguma coisa.

Não sei. Acho que é isso que eu estou tentando fazer agora. Parar de ouvir minhas expectativas. Frear o pensamento sobre os outros e deixar com que as pessoas se mostrem quem são. E elas sempre se mostram.

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