O que você disse?

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Businessman Reprimanding Woman Through Tin Can PhoneTenho ouvido com bastante frequência sobre casais em crise. Amam um ao outro, mas a convivência às vezes vai ficando difícil e desgastante. As reclamações aumentam, a paciência diminui e o amor vai ficando meio sem espaço, ou se esconde e deixa o circo pegar fogo.

Somos muito diferentes um do outro. Cada um com seu mundo, suas histórias, seus pensamentos e sua vivência. Nem todo mundo gosta das mesmas coisas ou percebe as coisas da mesma maneira. E no meio disso, encontrar um jeito de dar certo pode parecer realmente muito trabalhoso.

Vi um livro que tem ajudado muitos casais. Chama-se “As 5 linguagens do amor”, não lembro agora quem escreveu. Mas a ideia do livro é que cada um gosta de receber carinho e amor de um jeito específico. E por isso, oferta seu carinho da forma como gostaria de recebê-lo. Só que, apesar da boa intenção, isso nem sempre funciona. Porque o que eu acho maravilhoso pode não significar muito para o outro.

E aí começam as dificuldades e as cobranças. “Você não me ama” “Mas eu sempre te digo que te amo!” “Mas isso não é suficiente” “Nada é suficiente para você!”. E por aí vai. Esse é só um dos exemplos.

Eu comecei a perceber a dificuldade que temos em comunicar o que sentimos. Em qualquer relacionamento, e em qualquer estágio dele. Temos necessidade de falar e ser escutado. Mas temos uma dificuldade enorme em escutar o outro e falar o necessário com efetividade.

Eu pensei em quantas vezes eu falei, falei e falei, e não disse nada do que queria de verdade. E quantas vezes ouvi os outros falarem, mas não escutei uma só palavra do que disseram.

Da mesma forma que eu falo aquilo que está no meu mundo, no meu entendimento. O outro escuta com o seu mundo e seu entendimento. E nunca poderemos evitar isso. Nunca poderemos dizer que eu sei exatamente o que ele falou. Porque eu sei o que eu interpretei do que ele falou.

Reconhecer essa brecha já é meio caminho andado. Checar se o que você escutou está correto também ajuda muito a diminuir esse abismo entre o outro e você. Mas me abrir a entender que as necessidades daquela pessoa não são as mesmas minhas, pode amenizar e até resolver grandes questões. Posso até achar que do meu jeito é a melhor forma de mostrar ao outro o quanto gosto, mas preciso saber se é o que ele quer. Senão estou correndo o risco de que minha demonstração seja vazia.

E é nesse espaço que eu creio que mora o entendimento. Quando, por não saber exatamente o que a pessoa está pensando, eu me interesso em perguntar, em entender. E em descobrir como chegar cada vez mais perto das necessidades dela.

presenteÉ quase como escolher um presente para dar a alguém e pensar: “eu adoro livros de Direito Administrativo, então com certeza ela também ficará imensamente feliz em receber um”. Será? Será que ela é advogada? Estuda para concurso? Gosta de ler? Se interessa pelo Direito? Gosta de livros? Não parece estranho escolher um presente sem focar em quem é essa pessoa?

Para acertar no presente é preciso conhecer bem o outro. E se ainda assim estiver na dúvida, certifique-se. Pergunte. Sonde. Descubra. Escute o que essa pessoa te diz. E talvez você encontre o presente perfeito, dentro das suas possibilidades, daquilo que você pode ofertar.

É muito difícil achar um presente maravilhoso sem esforço, sem sair de casa, sem procurar. E relacionar-se com o outro é uma entrega constante de quem você é e do que está disposto a ofertar.

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