A lei da oferta e da procura

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coraçãoEstava conversando com uma amiga sobre seu término de namoro e chegamos a esse impasse: porque muitas vezes sentimos que precisamos desistir de certos relacionamentos mesmo que ainda goste da pessoa ou a queira por perto?

Depois de várias conjecturas, e muita conversa, eu comecei a pensar que é muito mais simples do que se imagina.

Todo relacionamento é troca. Eu dou algo e recebo algo em consequência. Qualquer coisa que desequilibre essa regra pode balançar o relacionamento. E aí, não é necessariamente o caso de pensar em culpa, de querer pintar monstros. Eu queria receber algo, mas o que o outro me ofertou não era suficiente para suprir minhas expectativas.

Muitas vezes aquilo que se oferta é real e legítimo. Porém, é diferente daquilo que se espera receber. Acho que por isso é preciso ter muito claro o que se quer ofertar e receber.

Eu imaginei quando vamos comprar algum produto no supermercado. Por exemplo, creme para cabelo. Existem vários tipos de cremes para cabelo: shampoo, condicionador, creme de pentear, creme hidratante, leave in, reparador de pontas… e por aí vai. Quando eu chego ao supermercado, olho o produto que quero e leio o que ele oferece: brilho, hidratação, reparação… Não adiantaria nada comprar um shampoo quando o que você quer é reparar as pontas dos cabelos.

Eu sei que o exemplo é bem feminino, mas acho que é válido mesmo assim. Eu não posso esperar reparação de um produto que é feito para limpar o cabelo. Não é isso que ele pode me ofertar. E se eu sei o que eu quero, posso devolvê-lo para a prateleira e buscar aquele que supra minhas necessidades.

Claro que aqui estou comparando coisas a pessoas, e isso é sempre complicado. Mas a questão é que, na maioria das vezes, não deixamos claro o que podemos ofertar e nem aquilo que queremos receber. E quando começamos a não gostar do que estamos recebendo, já colocamos a culpa no outro. “Ele(a) não me entende, ele(a) não se esforça.” Mas talvez seja isso a única coisa que, naquele momento, a pessoa é capaz de ofertar. E talvez, isso, não seja o que você está esperando receber.cremes-para-cabelos

E mais óbvio ainda que, quando se trata de relacionar-se, nunca é tão simples como devolver o produto para a prateleira e procurar outro. Até porque, diferente do creme para cabelo, na maioria das vezes, a gente só percebe que não supre as expectativas quando já estamos na metade do “produto”. E aí não é tão simples “devolvê-lo”.

Mas também não podemos continuar com algo que não se encaixa naquilo que quero. E que por isso pode até danificar meu cabelo. E pode inclusive ser muito difícil reparar depois.

E nesse momento, acho que a conversa deve ser simples e direta. Mostrar, o mais claramente possível, o que estou disposta (o) a ofertar e o que espero receber. E mais importante ainda: ouvir o que o outro tem a dizer. Sem julgamentos, sem querer encontrar a culpa. Mas tentar entender se o que ele(a) me oferta é o que quero receber, ou não. Seria mais um ajuste do que uma discussão.

E não acho que isso seja necessariamente racional. Porque no momento da oferta e da procura é preciso saber como se sente com relação a tudo que está acontecendo. Acredito ser mais emocional até. Porque eu sei o quero agora, mas amanhã pode ser que eu queira coisas diferentes. E isso muda basicamente pela influência emocional da convivência com outras pessoas e pelas novas experiências na minha vida.

E por esses e outros motivos que eu acho importante conhecer bem as pessoas que me interessam. Para “ler o rótulo” antes de começar a “usar o produto”. E também por isso acho importante a sinceridade nessa fase. Dizer exatamente a sua oferta e a sua procura. E, talvez assim, poder evitar desgastes para os dois.

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