Eu sei que vou te amar

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Eu-sei-que-vou-te-amarUltimamente tenho pensado em como a frase “eu te amo” tem consequências grandes. Tem se falado muito sobre a banalização do amor e como as coisas andam meio desconectadas hoje em dia. E eu concordo bastante. Basta dar uma olhada ao redor. É muito mais fácil ligar a palavra amor a coisas superficiais do que a verdadeiros relacionamentos.

Eu sempre digo que amo isso ou aquilo. Mas tentei me lembrar para quantas pessoas eu já disse “eu te amo”. E isso me deixou impactada. Quantas coisas e tão poucas pessoas.

Acho que existem dois extremos atualmente. Ou qualquer um e qualquer coisa eu amo com todo meu coração. E me entrego como se não houvesse amanhã. E cobro, sofro, me machuco e choro. Ou eu simplesmente não digo para ninguém. E não me envolvo e não deixo as coisas acontecerem. E sou taxada de fria, de dura e por ai vai.

Extremos nunca são muito bons. Cada dia eu acredito mais que a beleza da vida se encontra no equilíbrio. Em caminhar sabendo onde pisar e como pisar.

Quem ama demais – no sentido da entrega – acaba ficando, muitas vezes, sem critérios. E acaba entregando seu coração para pessoas que não merecem tê-lo. E isso acaba gerando muita insegurança e cobrança. Acabamos transferindo ao outro aquilo que sentimos. Queremos que a outra pessoa se envolva tanto quanto a gente.

E nascem os ciúmes, a falta de confiança e as dificuldades em simplesmente aceitar como o outro demonstra esse amor.

Mas por outro lado, é impossível se proteger sempre. É muito difícil viver uma vida dentro de uma concha, de um campo de força. Até porque chega uma hora que fica tão artificial que só você acha que está protegido e seguro. Porque tudo o que as outras pessoas enxergam é o seu medo de se envolver.

Criar essa dureza de coração, para que nada me afete ou me tire do caminho traçado, pode afastar muitas experiências incríveis. Não sempre boas, é claro. Mas esse extremo também traz insegurança para o relacionamento. É muito difícil conviver com alguém blindado. Nunca se sabe exatamente o que essa pessoa está sentindo. E cria-se um buraco entre os dois.

Acredito que o equilíbrio vem exatamente de saber que posso me entregar, que posso amar alguém com todo meu coração, mas não todo mundo, nem tudo. É preciso saber quem merece meu amor.equilíbrio

E de saber que posso amar e ser amada nasce a confiança. E é ela que sustenta o relacionamento. Porque eu aprendo que posso confiar na pessoa enquanto a vejo. E que tenho que confiar ainda mais quando não estou vendo.

E acho que ajuda muito a conquista dessa confiança o aprender que cada um demonstra seu amor e interesse da sua maneira. E nem sempre é a minha maneira de demonstrá-lo. Dizer eu te amo é importante. Mas ainda mais importante é perceber os pequenos detalhes de atenção e carinho. Muitas vezes eles dizem muito mais amor que mil vezes “eu te amo”.

Escutei esses dias que em um relacionamento devemos chegar ao ponto de que o meu “eu te amo” não seja para dar certeza ou convencer o outro do que eu sinto. Mas que seja um reconhecimento meu de tudo aquilo que me faz amar essa pessoa. E dizer eu te amo pode ficar mais fácil, mais intenso e verdadeiro.