Dize-me quem tu és.

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Esses dias estava conversando em uma roda de conhecidos e fiquei prestando atenção nesse rapaz que insistia em dizer o quanto ele era culto e viajado. E tinha opinião sobre tudo. Tudo de mais fantástico ele já tinha feito ou pelo menos conhecia. Se fosse somente ouvir as palavras que ele dizia, eu teria certeza de que ele era o máximo. Sem defeitos.quem-sou-eu-soubem.ponto

Em alguns minutos ouvindo tudo aquilo eu fui ficando incomodada. Eu estava apenas ouvindo. Mas não me segurei e soltei a pérola: “eu acho que aquilo que somos de verdade não precisa ser falado, aparece até sem a gente sentir. Mas quando a gente precisa dizer, é porque não é.”

Enfim, após aquele minutinho desconcertante de silêncio, eu me senti mal por ter falado. Mas depois fiz cara de “é isso mesmo que eu acho”. Mas acho que não adiantou muita coisa. A carapuça não serviu…

E eu fiquei pensando muito em porque a gente tem essa mania de auto afirmação. Não é só o pobre coitado do garoto que faz isso. Todo mundo faz. Talvez em menor escala, mas faz. E isso, para mim, é a necessidade de ser aceito. A necessidade de ser reconhecido e de que vejam minhas qualidades. É quase uma vontade de dizer que eu valho a pena e você deveria gostar de mim e me respeitar.

Uma das maiores descobertas que eu fiz no ano passado foi entender que gostar de mim não é decisão minha, mas da outra pessoa. É ela que, livremente e diante do que eu sou, decide se eu sou “gostável” ou não. Eu não posso fazer muito com relação a isso.

Então, não adianta me esforçar tanto para agradar ao outro. Muitas vezes deixando de ser quem eu sou ou de fazer o que quero de verdade.

Não é preciso provar quem eu sou. Não é preciso parecer nada. Não é preciso adaptar nada. Porque quanto mais eu mesma eu for, mais oportunidades o outro tem de me conhecer de verdade e decidir o que acha de mim.

Mas se eu estou sempre agradando, sempre provando que eu sou boa o bastante para ser amada, ninguém nunca vai saber quem eu sou de verdade. Acho que nem eu mesma, no fim das contas.

E o que eu sou de verdade aparece mesmo que eu tente esconder. Porque é o que é mais natural em mim. É minha essência. Posso até esconder por um tempo, mas fatalmente vai aparecer, não adianta.

Quer saber suas qualidades? Escute os elogios de quem não te conhece bem. Ou das pessoas que por algum motivo você não tenha se esforçado para agradar. É o que as pessoas veem sem nem ao menos você se dar conta. Quer saber seus defeitos? Pergunte a quem convive intimamente com você. Porque esses a gente esconde melhor.

E é por esse motivo que eu acho importante se desvencilhar das opiniões dos outros. Parar de buscar feedback de quem eu sou. Porque meu único compromisso é ser quem eu sou.

E é claro que isso não quer dizer me enfiar goela abaixo e fazer os outros me aguentarem sem reclamar. Ser quem eu sou não afasta a importância de evoluir, crescer, amadurecer e ser sempre melhor a cada dia. Mas se eu me preocupo em ser eu mesma, em me conhecer melhor, eu fico mais atenta ao que posso melhorar.

Creio que é inútil tentar parecer algo para o outro, só porque, de alguma forma, acho que é isso que ele vai gostar e assim vai querer ficar perto de mim.

musicaÉ mais ou menos quando quero mostrar as músicas que eu escuto. Eu acho as músicas maravilhosas e que vale a pena ouvir todo dia. E acho que mais pessoas deveriam conhecer a banda.

Porém, não é falando da banda o tempo inteiro, nem dizendo todas as vantagens que se tem em escutar as músicas ou quanto o outro vai amar se ouvir que eu vou convencer alguém a gostar da banda. É simplesmente ligar o som e colocar a música. E esperar a reação do outro. Pode ser que ele se apaixone tanto quanto você. Pode ser que ele não goste. Pode ser que ele até goste, mas não tanto assim. Pode ser que ele goste com o tempo.

Isso não quer dizer que a banda é boa ou ruim. Quer dizer que isso só depende da decisão de cada um que escuta a música. Não da maneira super atrativa que você faz propaganda dela. Porque você pode até conseguir que a pessoa queira escutar a música. Mas gostar e querer ouvir todo dia? Isso não cabe mais a você.

Uma ideia sobre “Dize-me quem tu és.

  1. Muito bom, uma vez me disseram que talvez eu não seja o que eu penso que eu sou, mas sim o que as pessoas falam de mim, ainda que eu não acredite ser aquilo. Valeu amigo, mais um ótimo texto!!!

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