Por que tanta pressa?

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Acho que a frase “está indo depressa demais” é quase comum para a maioria das pessoas. Acho que todo mundo já ouviu isso ou já falou isso pelo menos uma vez. Ou ouviu algum dos seus derivados: “vamos com calma”, “no ponto que estamos não sei se quero me envolver”, “não estamos no mesmo ritmo” e por ai vai…pressa-1

Por muito tempo eu achei que as pessoas que falavam isso eram medrosas demais. E provavelmente tinham muitos problemas em assumir compromissos. Não parava para pensar que talvez, só talvez, realmente estivesse indo depressa demais.

E acho que isso acontecia porque para mim não tinha pressa. Eu não estava cobrando nada do cara. E não estava exigindo nada também. Então onde estava a pressa? Eu estava sendo sincera e deixando bem claro que ele era livre. E que no tempo dele ele poderia me pedir em namoro. E não ficava perguntando e nem insinuando nada sobre o assunto.

E refletindo melhor agora e conversando com alguns amigos, eu percebi que esse era o problema: ainda que eu esperasse pacientemente, ele TINHA que me pedir em namoro. Não existia outra opção.

Não é óbvio que se ele se interessa por mim e me trata bem é porque ele sente algo por mim? Não é óbvio que se o cara me chama para sair ele quer ficar comigo? Não é óbvio que se a gente está saindo com certa frequência ele vai me pedir em namoro? Não. Não é óbvio.

E não pensar na alternativa de que ele apenas quer me conhecer melhor, me faz passar para ele uma ansiedade e uma expectativa que nem eu percebo que tenho.

Mais uma vez nossas queridas expectativas! Esperar que seja bom, ter uma visão de como poderá ser, é saudável. Até para ver se as coisas se encaixam e caminham para os objetivos que você traçou. Mas fazer dessa visão uma certeza, e viver contando que ela aconteça, é onde mora o perigo.

Eu tenho que ser sincera sim. E ele é livre sim. Mas o que vai acontecer a partir daí, só Deus sabe. E eu tenho que aprender a nadar com a maré.

O problema não é só feminino, mas eu tenho que admitir que acontece em maior proporção com a gente. A coisa acontece porque onde um enxerga uma pessoa interessante e uma possibilidade, o outro vê um futuro inteiro acontecendo. E assim começa a ver sinais em tudo e, com isso, afinidades. E se criam certezas completamente incertas.

E quando o outro fala que está rápido, a gente quase não acredita no que está ouvindo. E todo o futuro que tínhamos juntos? E todas as nossas afinidades? O que eu fiz de errado? Será que não sou suficiente?

realidadeE o problema é simples e fácil de resolver: corte as expectativas e encare a realidade dos fatos. São apenas possibilidades. Pode ser que dê certo? Pode ser.

“Mas a gente já saiu três vezes e até agora nenhuma definição!” Qual é o número certo de saídas para poder decidir algo? Existe um número? Creio que isso só depende dos dois envolvidos no assunto. Ninguém mais.

“Mas e eu vou ficar à mercê do outro, esperando ele decidir algo?” Não, você vai viver a sua vida. Fazer o que você tem que fazer. E tratar o outro como a possibilidade que ele é. E se as coisas caminharem para uma decisão, encare-a e faça aquilo que achar melhor. E se não acontecer de ficar junto, você continuará vivendo a sua vida e fazendo o que tem que fazer.

Não existe mágica ou técnica para cortar expectativas. Acho que vai mais do esforço contínuo em encarar os fatos e não pintá-los em cor de rosa.

Nós saímos. Foi legal? Que bom! Quer sair de novo? Convide, se disponibilize. Saímos de novo. E foi bom de novo? Sim, foi ótimo. Então faça mais vezes se sentir vontade. E o que nós somos? Pessoas que estão saindo junto e gostando. Mas e o futuro? Está sendo construído a cada dia. Agora respire e vá construí-lo.

3 ideias sobre “Por que tanta pressa?

  1. Muito interessante!!! Realmente a grande descoberta de um “bom relacionamento” se apresenta a nós em uma variabilidade similar à da sorte, trazendo consigo a angústia de que por mais que saibamos as melhores ferramentas para o dito “bom relacionamento” de forma alguma podemos usá-las para intervir no curso totalmente natural que as coisas se desenvolvem. Apenas a naturalidade, a espontaneidade e o amor, podem, de alguma forma, nos servir de guia!

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