Dois ou um? Dois em um!

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Esse fim de semana, eu fiquei admirada em como colocamos no outro a expectativa da nossa felicidade. E o quanto isso pode ser um peso e assustar quem está ao nosso lado.carência 1

Todo relacionamento busca a felicidade dos envolvidos. Seja ele qual for. E é para isso que nos relacionamos. De outra forma não faria sentido me esforçar, ceder, perdoar, lutar e querer. Mas eu entendo que a felicidade se busca no relacionamento e não no outro.

Explico: O relacionamento é formado de duas pessoas. Diferentes em pensamentos, atos e histórias. Essas duas pessoas contribuem para um bem comum. E cada decisão e ação deles modifica diretamente aquilo que eles têm em conjunto. Logo não é um e outro, são dois que constroem um caminho único. Eu não “preciso” de alguém, quero ter alguém ao meu lado porque com essa pessoa eu crio um mundo em que gosto de estar.

Então, no meu entender, o “responsável” pela felicidade é o relacionamento, aquilo que se constrói em conjunto e não o outro em si. Delegar essa responsabilidade ao outro é colocar nos ombros dele uma carga difícil de carregar.

Digo isso porque conheci, recentemente, uma pessoa bem carente. Claro que se essa fosse a única pessoa carente que eu conheço tudo estaria resolvido. Carência é algo que todos estamos sujeitos em alguma fase da vida. Uns mais e outros menos. E de formas diferentes também. Mas tem gente que faz disso sua trilha sonora, seu roteiro de vida. Então, conheci essa pessoa que faz exatamente isso. “Eu estou triste logo você precisa me fazer feliz”.

Não sei como as pessoas lidam com isso, mas eu me sinto uma boba da corte, sabe? Daquelas contratadas para fazer o rei rir. rei_bobo_da_cortePorque se eu tenho a “função” dentro do relacionamento de fazer o outro se sentir melhor, isso vira quase um cargo, um trabalho e não uma história, um caminhar juntos.

E eu me perguntei: se o que eu sou, o que eu faço para esse relacionamento e o que eu invisto nele, não é suficiente para que nos traga felicidade, será que a responsabilidade é somente minha? Será que não vale aqui uma reflexão sobre o que temos ofertado e recebido?

E se eu não me sinto feliz, será mesmo que a culpa é do outro que não me faz feliz? Ou será que o relacionamento que estamos criando está indo para uma direção que eu não gosto?

É muito fácil culpar as pessoas. Ainda que você tenha razão. Mas se isso está acontecendo, se o relacionamento tem causado problemas em você, de que forma você contribuiu para isso?

Muitas vezes a gente acha que não tem culpa porque o outro foi agressivo, abusivo, controlador. Ou mesmo displicente, ausente, descompromissado. E quase sempre não temos. Porém nunca refletimos que, de alguma forma, nós deixamos isso acontecer. Às vezes porque evitamos decidir e delegamos ao outro a decisão. Outras vezes porque nos fazemos de vítimas. E quase sempre nos anulamos e esquecemos que um relacionamento se constrói com duas pessoas.

Eu pensei em um jogo de frescobol. O intuito dele, mais do que qualquer outra coisa, é ter um tempo divertido e leve com uma pessoa que você goste. Não sei se tem, mas eu nunca vi um campeonato profissional de frescobol. E nem nunca vi alguém tenso, com cara de mal, andando pela praia e desafiando as pessoas. Geralmente se joga com seus amigos, familiares, namorados e etc. Para descontração e divertimento. Não se espera profissionalismo. Você sempre vai jogar melhor quanto mais os dois estejam curtindo o jogo.

E se isso é o que acontece em um relacionamento, não consigo imaginar que um dos participantes esteja parado, com a raquete na mão e diga ao outro: “vai, joga aí sozinho para me divertir enquanto eu fico aqui esperando isso me fazer feliz.”

frescobolPara curar a carência, vamos pegar essa raquete na mão, segurar com vontade e disposição. E participar desse jogo com todo o coração. Melhorando sempre as jogadas. Conversando sobre elas. Prestando atenção no momento. Rindo sem medo de parecer bobo.

Não jogue sozinho. Da mesma forma que o outro tem que mandar a bola boa para você, esforce-se pelas boas jogadas também.

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