Amor: essa caixinha de surpresas

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Essa última semana foi aniversário de casamento dos meus pais. Quarenta e três anos juntos. Realmente uma estrada longa de caminhada. Com muitas histórias de percalços e também de muitas felicidades. Algumas delas fiz parte e outras até protagonizei. Mas foi emocionante participar com eles dessa celebração. Ainda mais por estar cada dia mais raro isso.caixa de surpresa1

Saímos para jantar e comemorar. Meu pai começou a contar uma história muito linda. Ele disse que uma vez, há muito tempo atrás – isso para dizer que eu nem era nascida ainda – minha mãe foi ao seu trabalho levando meu irmão para apresentar aos colegas de trabalho dele. Ele contou com riqueza de detalhes que estavam passando por muitas dificuldades financeiras e que, portanto, minha mãe não tinha muitas roupas para sair. Nesse dia, ela colocou sua melhor camisa, a que usava em ocasiões especiais. Só que quando chegou ao trabalho do meu pai, meu irmão já havia carimbado a blusa de várias formas.

Meu pai, com os olhos brilhando, nos disse que quando a viu lá, mostrando seu terceiro filho para os colegas dele, com a camisa toda suja, mas com um sorriso no rosto e feliz, ele pensou “tinha que ser ela, porque nenhuma outra mulher faria isso por mim.”

Eu não disse nada na hora. Na verdade nem consegui. Fiquei meio imersa na história e na imaginação da cena. Achei sublime todo o momento.

Fiquei pensando em todas as desculpas que conseguimos dar. E ao quanto nos prendemos em estereótipos físicos e na aceitação dos outros.

Quando estamos com alguém só temos uma mínima ideia do que faz aquela pessoa gostar de mim. E quase sempre nos prendemos em coisas que nem de longe retratam a verdade.

Vejo esses milhões de discursos de vou ter dinheiro, e um carro maravilhoso. Vou malhar muito porque é impossível ficar só sendo grande ou gostosa. Mas quantos desses podem relatar terem recebido um olhar tão apaixonado quanto esse? Quantas pessoas com carros caros, corpo perfeito, roupa certa e maquiagem impecável, podem dizer que são admiradas nesse nível?

E é quase sempre assim. Você até se encanta com o cara no dia da festa, com a barba feita e uma roupa descolada. Mas amor mesmo só vem naquele dia de barba por fazer, cabelo desgrenhado, em que ele fica todo sujo e suado brincando com seus sobrinhos. Ou quando ele troca o pneu furado do seu carro. Quando ele faz aquele gol de sorte e manda um beijo para você.

Ou é como você ter milhões de fotos daquele casamento em que você estava maravilhosa com o vestido caríssimo e com a maquiagem perfeita. E ele posta no facebook aquela foto sua cheia de olheiras, com rabo de cavalo e olhando para o sol. E quando você reclama, ele diz: “você está linda nessa foto!”

admiraçãoE mais uma vez eu percebo que amor não tem nada a ver com perfeição, com dias lindos e momentos previamente calculados para que ele aconteça. Amor é estar presente, é oferecer aquilo que se tem. Mas com tanta vontade e com tanto carinho que o outro sente e se enche de admiração e respeito.

Não adianta caçar o amor, como se a vida fosse selva e ele aparecesse para os que mais se esforçam em encontrá-lo. Para aqueles que estão com a arma em punho e com o condicionamento físico em dia. O amor tampouco é prêmio para aqueles que beiram à perfeição.

O amor é encontro, disposição e abertura. E como diz a canção: “…mas é exatamente quando a gente está cansado, que o coração distrai então a sorte vem…”.

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