Sapatos, pés e outras escolhas mais

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sapatospésEsse fim de semana eu me lembrei da minha avó e dos conselhos engraçados que ela nos dava. Lembro que uma vez eu estava chateada por causa de um término de relacionamento. Ela, querendo me consolar e animar, veio até meu quarto e disse: “não se preocupe, sempre tem sapato velho para pé inchado”.

Impossível continuar triste depois disso. Eu desatei a rir e só pedi para que ela me esclarecesse se eu era o sapato velho ou o pé inchado.

Mas não posso deixar de concordar com ela. Não falta par para ninguém. O mundo está cheio de possibilidades, de pessoas diferentes em todos os lugares. E o problema é que não queremos simplesmente encontrar alguém e ficar junto. Queremos encontrar quem procuramos. Aquela pessoa que eu imaginei. Não idealisticamente. Mas aquela pessoa que eu me dispus a encontrar.

Eu comecei a olhar os casais que conheço. E comecei a perceber que você encontra realmente aquilo que está procurando, consciente ou inconscientemente.

Vi uma mulher namorando um cara cheio de dinheiro. E tudo que ela fala dele é sobre o conforto que ele proporciona a ela. E claro que meu primeiro juízo foi achá-la interesseira. Mas esse era o cara que ela queria encontrar. Essa era a situação que ela queria viver. Era a vida que ela sonhou. Se eu concordo ou não, é um mero ponto de vista meu.

Da mesma forma que conheço mulheres que se casam com caras workaholics, nerds ou baladeirosenfim, cada um com aquilo que busca e aceita para a sua vida.

E mais uma vez eu percebi que entre todos os relacionamentos que tenho e todos os caras com quem me envolvo, só existe um padrão: eu mesma. Eu sou a única coisa repetida em todos os meus relacionamentos. E se só aparece um tipo de pessoa na minha vida, e que age da mesma forma comigo, eu tenho que pensar o que eu estou buscando para mim.

Então, utilizando a metáfora motivadora da minha avó, qual o tipo de sapato tenho procurado para o meu pé?escolher sapato

Será que eu tenho me colocado realmente como pé inchado, que nenhum sapato novo aguenta? Ou será que me coloco como sapato velho, tão frouxo e sem forma que só fica bem em pé inchado?

Não dá para reclamar das pessoas que estão na minha vida sem reconhecer que eu fui que as coloquei lá. A vida, como já falei por aqui em outro post, é a arte do encontro. Uma hora ou outra, se estivermos aberto a isso, nós encontramos alguém. E se esse encontro, de certa forma, é inevitável. Vale uma reflexão sobre quais encontros estou disposta a ter.

Uma vez me disseram para listar o homem que eu queria para mim. Eu fiz. Narrei essa experiência no post Lidando com prioridades. Mas adiantando o assunto, não deu muito certo para mim. Ontem, conversando com amigos, falei sobre essa minha lista. Minha amiga contou uma história de uma mulher que lhe disse: “se você quiser ter alguém na sua vida, faça uma lista da pessoa que você quer, mas não se esqueça de colocar nela os defeitos.” Minha amiga achou graça e disse que não queria alguém com defeitos. E ela completou: “então você não quer de verdade um relacionamento.”

Acho que foi isso que saiu errado na minha primeira lista.

Deixando de lado a ideia de uma lista concreta de qualidades e defeitos. O que eu considero mais essencial é pensar o que eu quero construir com alguém. O que aceito na minha vida e o que não tolero. O que mereço e o que estou disposta a ofertar. Não preciso ter isso necessariamente por escrito. Porém é preciso vislumbrar o futuro para agir com consciência no presente.

É importante saber onde quero chegar para avaliar se estou no caminho e com a companhia certa para isso.

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