Quem dança seus desafios enfrenta

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Esse final de semana eu sai com as amigas para um forró. Vinha de uma semana cheia de desafios e decisões necessárias e estava precisando extravasar. E dançar é uma das terapias que mais funciona comigo nesses momentos. Mas, como sempre, nas coisas mais banais a gente sempre pode tirar uma lição. ForróE a minha foi exatamente na dinâmica do forró. Você está ali, curtindo a música, mexendo os pés timidamente, e alguém vem e te tira para dançar. E cabe a você aceitar ou não. Mas vale dizer, que se estar na chuva é para se molhar, estar no forró geralmente é para dançar.

Para mim, dançar não é uma dificuldade. Eu sinto o ritmo e me deixo levar. O resto é resto. Mas percebo que para muitas pessoas é um grande desafio. Toda vez que eu saio para dançar com as amigas, escuto as mesmas histórias quando alguém as tiram para dançar. “Não, obrigada”. “Dança com ela ali, ela é profissional”. “Eu não sei dançar”. “Sempre erro tudo”. “Vou acabar pisando no seu pé”.

Eu acho graça. Sempre encorajo e digo “vai lá, tenta! ” Elas dançam, ficam sem graça, e terminam a dança me dizendo: “viu, eu errei tudo. Te falei que não sei dançar”. E eu sempre respondo o mesmo: “você errou porque estava preocupada em acertar, se tentasse só se divertir, tenho certeza que acertaria tudo”. E na minha opinião, essa é a regra máxima da dança – não pensar. Você pode ter toda a técnica do mundo, ter feito aula a vida toda, se na hora da dança ficar pensando onde vai qual pé e, meu Deus, o que eu faço com minha mão, vai se atrapalhar todo. Música é feita para sentir e se deixar levar.

Eu li hoje uma frase de Voltaire que diz: “Não deixe o perfeito ser o inimigo do bom”. Me fez pensar bastante em como encaramos o desafio. Quantas milhões de coisas, eu acabo não fazendo porque não me acho tão boa assim. Nos prendemos tanto em ser perfeitos em algo que isso se torna um obstáculo para fazer qualquer coisa.

Um bolo feito às pressas sem todos os ingredientes é melhor do que aquele bolo perfeito que você não faz. Uma conversa em inglês cheia de erros é melhor que ter um inglês perfeito e nunca conversar com ninguém. Um texto publicado imperfeitamente é melhor que o texto perfeito nunca publicado. Uma dança simples, mas divertida é melhor que a dança super elaborada que você não dançou.

john travoltaSerá mesmo que a gente só pode dançar na festa quando for melhor que o John Travolta em embalos do sábado à noite, ou melhor que o Carlinhos de Jesus no samba de gafieira? Porque se esse for o parâmetro, realmente é melhor não dançar nunca, a decepção vai ser fácil. Será mesmo que eu só posso lançar aquela ideia no trabalho quando eu tiver três mestrados, um doutorado e mais outros cursos de especialização? Será que eu só posso viajar para o exterior quando tirar o diploma de proficiência em inglês? Será que eu só posso participar de uma corrida quando eu terminar meus trinta e dois quilômetros sem pôr a língua para fora? Temos tantas e tantas desculpas para nunca começar.

E nunca lembramos do detalhe de que se eu estou no forró, alguém vai me tirar para dançar. Logo, se eu estou na vida, o desafio vai chegar. Sempre chega. E será que eu consigo sempre ser perfeita para encará-lo?

Um consolo para tudo isso, é que tanto o John Travolta quanto o Carlinhos de Jesus não nasceram dançarinos. Em algum momento da vida deles, eles se lançaram na aventura de aprender a dançar. E depois de muita prática eles fazem o que fazem.

Qualquer desafio que apareça só depende de uma coisa para ser encarado: vontade. O resto virá quando a gente conseguir silenciar a vergonha que nos diz: “você está doida? Vai ser ridículo! Você não sabe fazer isso! Vão rir de você! ” E aprender a respirar fundo e conseguir acalmar a nossa mente dizendo: “Vai lá e faz o seu melhor, mas não se esquece de curtir o momento, senão não tem graça”.

Provavelmente eu vou pisar no pé do outro, vou virar para o lado errado, mas quanto mais dançar na vida, mais eu encontro o meu jeito, o meu ritmo, o meu tempo.

Só aprende quem faz. Não adianta ter toda a formação necessária, entender tudo o que é preciso, pensar em todas as variáveis e ficar esperando o momento perfeito para começar. Eu tenho aprendido que ele nunca chega. Simplesmente porque eu nunca vou achar que estou pronta o suficiente. E também porque por mais que eu pense em tudo e me cerque de todos os cuidados, só quando eu fizer é que saberei as falhas e as potencialidades daquilo que faço.dança 1

E que esse seja um dos nossos desafios nesse ano. Não pensar demais e nem dar tempo para as desculpas. Respira fundo, entra no ritmo e vamos dançar com a vida!

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