Esperar é saber

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fila de espera Vou falar de um tema recorrente aqui no blog. Como sabem, aqui falo sobre aprendizados que tive, tenho ou preciso ter. Coisas que aprendo comigo mesma e com os outros. E sei que como todos estamos unidos nesse caminho que é a vida, as minhas reflexões podem ser as reflexões de muita gente. E por isso lá vem ela outra vez: a paciência. Eu já aceitei que sobre ela eu passarei a vida inteira aprendendo.

E mais uma vez eu dei uma pausa na minha ansiedade e pressa para pensar no que significa esperar. Ter paciência nos exige saber esperar. Não que toda espera nos faça pacientes, porque eu percebi que existem diversas maneiras de esperar. Basta olhar uma fila de atendimento de qualquer coisa e é possível perceber que o fato de ter que esperar não nos torna necessariamente pacientes. Tem gente que rói unha, tem gente que lê, outras pessoas mexem no celular, outras fazem amizade nas filas e tem gente que de cinco em cinco minutos pergunta se está chegando a vez dela. Todas estão esperando, mas qual delas eu poderia dizer que é paciente?

“Quem espera sempre alcança”, já diria o ditado. Mas de que forma alcança e o que alcança, sendo que existem diversos tipos de espera? Eu acho que eu estava mais para a música: “vem, vamos embora que esperar não é saber, quem sabe faz a hora e não espera acontecer”.

A minha espera geralmente é tipo aquela de fila de banheiro quando você está apertada e a pessoa antes de você resolve morar lá dentro, sabe? Eu comecei a perceber isso quando, mesmo no lugar mais calmo do dia mais tranquilo, meu coração palpitava forte e a respiração ficava ofegante só de pensar que eu tinha que fazer algo ou resolver algo. E eu só conseguia pensar: “sai de mim ansiedade, me deixa viver”! E lá ficava ela, rindo da minha cara e jurando amor eterno.tempo

Até que eu comecei a pensar que esperar é algo inerente ao ser humano. Nada na vida acontece sem espera. Cabelo leva tempo para crescer. Cozinhar leva tempo de assar no forno. Chegar em algum lugar leva tempo. Construir leva tempo. Conhecer o outro leva muito tempo, conhecer a si mesmo – mais tempo ainda. Aprender leva tempo. Mudar hábitos leva bastante tempo. Viver leva tempo! E o interessante é que tempo é uma das muitas coisas que a gente não controla. Porque ele passa mesmo quando a gente implora para que ele pare.

E saber esperar é reconhecer que eu não sou dona do tempo das coisas e por isso, eu preciso deixar que elas aconteçam no tempo que precisam para acontecer. Quanto tempo é? Não sei. Mesmo aquelas esperas que dão raiva só de imaginar, como fila de consultório e fila de banco, levam tempo que a gente não controla. Afinal, alguma coisa acontece para que demore, ou será que o mundo acorda de manhã e pensa junto: “vamos fazer ela esperar hoje”? Mesmo que muitas vezes pareça complô, eu acho que não sou tão importante assim.

E essa foi minha reflexão, se esperar é algo que eu não posso evitar e nem, muito menos, controlar, qual o tipo de espera eu quero ter?

Eu percebo que quanto mais agoniada é a minha espera, menor fica minha capacidade de persistir. Porque gasto tanta energia em tentar dar certo, em fazer algo para que aconteça, que acabo me cansando antes mesmo de começar. E eu percebo essa mesma proporção com relação à minha delicadeza e capacidade de compaixão. Quanto mais agoniada estou esperando, menos gentil eu sou comigo mesma e com os outros. Logo, menos oportunidades eu aproveito para aprender e para conhecer pessoas e a mim mesma.

E como ficar zen quando as coisas não parecem acontecer ou porque o tempo delas não chega? Eu descobri uma coisa muito simples que tem funcionado comigo: fechar os olhos e respirar. Bem fundo. Como se fosse possível em uma inspiração juntar toda minha ansiedade, preocupação e nervosismo e soltar tudo de uma vez na expiração. Tem dado bons resultados. A segunda coisa que eu adotei na vida foi o famoso “aceita que dói menos”. Tenho que esperar? Ótimo, vou ler esse livro que queria começar faz tempo. Vou sair com algum amigo que faz tempo que não vejo. Vou escrever. Vou caminhar. Vou fazer o que tenho que fazer. E o que quero fazer.Saber-Esperar

Nada disso acelera a espera. Acho que nada pode fazer isso. Mas pelo menos nos traz mais perto da tão desejada paciência. Esperar com boa atitude. Esperar ativamente.

E como diz a oração da serenidade: “Concedei-me, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar as que posso e sabedoria para distinguir uma da outra.”

E vamos assim, respirando, aceitando, esperando e vivendo.