Joga fora no lixo

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A vida ultimamente nos propõe uma correria só. É sempre muito intenso dar conta de tudo o que a vida moderna pede. E como tudo acontece de uma vez, essa semana eu tive a agradável notícia de que todos os meus aplicativos de nuvem atingiram a capacidade. lixo 1 Eu nem sabia que isso era possível de acontecer tão rápido. Mas acabou que eu precisei fazer uma limpeza para que eu pudesse continuar armazenando mais coisas. Essa é a modernidade criando problemas que você nunca tinha imaginado passar.

O lixo sempre foi um problema e uma grande discussão na sociedade. O que fazer com ele? Como fazer para que no futuro não tenhamos mais lixo que gente? Mas nunca imaginei que também fosse um problema virtual.

E no meio da loucura que a falta de organização do tempo nos causa, eu tive que encontrar tempo de parar e esvaziar minhas pastas. Que difícil decidir o que fica e o que sai. Que difícil perceber que se eu fizesse essa limpeza com mais frequência eu teria somente que me importar com o guardado e me pouparia de tantas horas olhando foto por foto, vídeos por vídeos e email por email…

E enquanto eu ia passando os arquivos e olhando o google+, google drive, dropbox, skydrive, eu me perguntei o que era o essencial.lixo-virtual

Um dia um professor me falou que nós somos as histórias que contamos sobre nós mesmos. E foi exatamente o que eu encontrei nessa faxina virtual. O essencial era aquilo que contava as histórias que vivi. O resto por mais interessante ou engraçado que fosse, não precisava ser guardado.

E isso me fez pensar qual tipo de lixo eu tenho guardado em mim. Percebi que muitas vezes vamos vivendo e resolvendo os problemas diários e lidando com as situações, e muitas coisas a gente vai guardando e afirmando “isso eu vejo depois”. Só que esse depois nunca chega. E quantos sentimentos, impressões, juízos vamos armazenando sem precisar. Quantas conversas, quantas palavras que deveriam ser ditas estão armazenadas dentro de nós. E vamos juntando tudo isso para olhar depois, só que esse depois tira tudo de contexto, não sobrevive no tempo.

Imagina se fôssemos amontoando tudo em casa e nunca jogando nada fora? Acho que nem a gente ia querer morar lá. E sem contar nos riscos de saúde que isso causaria a nossa família e a nós mesmos. Parece ilógico fazer isso em casa. Mas fazemos isso o tempo todo com nossos pensamentos e emoções. Guardamos aquele rancor de uma briga de tempos atrás. Guardamos a má impressão que um lugar ou uma pessoa nos causou. Guardamos aqueles pensamentos que nos envenenam toda vez que queremos ir em frente. E vamos guardando sem nunca nos questionar o que é essencial.

A vida vai ficando pesada demais com tanta coisa para carregar.

O nosso corpo faz isso naturalmente. Pega tudo o que ingerimos, tira somente os nutrientes necessários e manda embora aquilo que é lixo. E porque não fazemos isso com o resto? Com nossos pensamentos, julgamentos e emoções? O lixo da nuvem é bem parecido com nosso lixo interno, não é um lugar físico. Só sabemos que ao mandar embora as coisas desaparecem da nossa vista.

E a pergunta maior é: como fazemos isso? Como jogamos fora aquilo que não faz sentido manter? Por onde começar a faxina interna?

leveza Foi por esse caminho a reflexão que fiz ao escrever esse texto. Ainda que não eu não tenha uma resposta científica para isso, creio que a gratidão é um bom começo. Certos pensamentos e sentimentos já deixam de fazer sentido e naturalmente mandamos embora quando aprendemos a agradecer tudo o que passou, independente se doeu ou não, se foi ruim ou se foi bom, no meu ponto de vista. Agradecer porque aconteceu e me levou a estar onde estou. Aquele pensamento de “e seu eu tivesse feito assim…” perde espaço quando sou grata por tudo que vivi.

E no dia a dia, acho que fica o exercício de refletir sobre meus pensamentos, de reavaliar minhas emoções. E decidir sobre o que fica e o que mando embora. Sem grandes diálogos, sem deixar que o lixo tente me convencer de ficar. Jogá-lo na lata de lixo mental com a mesma rapidez e tranquilidade que faríamos com o lixo real da nossa casa.

É a limpeza que libera o espaço para novos armazenamentos.