De Machu Picchu para a vida – Primeiro dia

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fb_img_14731902081461Conforme falei no post anterior, fiz recentemente a Trilha Inca de quatro dias que leva até Machu Picchu com mais duas amigas. E foi uma experiência transformadora em vários aspectos.

Esse post é o sobre o primeiro dia. Deixa eu contextualizar: eu não sou esportista, nem tenho um bom condicionamento físico. Estávamos em Cuzco, em um hostel, separamos o que precisaríamos nos próximos quatro dias e colocamos na mochila. A minha tinha em torno de sete quilos. Nada absurdo, mas a ideia de carrega-la por quatro dias não me animava muito.

O guia nos buscou às cinco da madrugada. O frio inquietava bastante. Pegamos um ônibus, onde conhecemos nossos companheiros de aventura: um casal carioca e outro casal americano. Isso fazia com que o guia falasse sempre em inglês com o grupo todo. Sentamos no ônibus e viajamos por, aproximadamente, uma hora até a entrada da trilha. Chegamos lá já havia amanhecido e o sol começava a esquentar tudo.

Depois do ritual inicial de verificar documentos, passar protetor solar, tomar um banho de repelente e guardar os casacos que começavam a não fazer mais sentido, começamos a caminhada. E eu estava bem ansiosa e temerosa porque não sabia se daria conta do que vinha pela frente.

Aqui já posso falar as lições que aprendi no primeiro dia: mantenha uma atitude positiva e respire.

Antes de cada dia, o guia começava reunindo grupo e dando as instruções do dia. E nesse primeiro dia ele disse: seja positivo! E eu pensei que ele estava apenas querendo ser agradável e motivador.

Quando comecei a subir a montanha, e a altitude começou a aumentar também, senti que minha capacidade de respirar não era a mesma. O coração acelerava por qualquer esforço e o cansaço parecia gigantesco. Não era uma tarefa fácil. Mal começou e eu me vi ficando para trás. E tudo o que passava na minha mente era “porque eu inventei isso”? “O que eu estou fazendo aqui”? “Eu não vou aguentar”. Tudo isso no início da caminhada. E foi quando eu lembrei do guia. E lembrei também que nossos limites são muito mais psicológicos que reais. Então decidi mudar os pensamentos. Constantemente repetia para mim mesma “eu consigo”, “falta pouco”, “olha que paisagem maravilhosa! Está vendo como vale a pena”?fb_img_1473190247835

E de repente, eu comecei a ver uma mudança real em mim. Uma força que eu não conhecia, uma capacidade de rir de tudo aquilo. Cada vez que eu parava para respirar – e foram muitas vezes – eu sentia uma alegria enorme dentro de mim por me sentir capaz de realizar aquilo. Eu não conseguia seguir o grupo, mas isso não afetava minha vontade porque eu estava tão focada em respirar melhor e manter a cabeça positiva que continuava apesar disso. Uma das minhas amigas estava tendo um momento bem difícil com tudo isso. E eu sentia que podia ser positiva por nós duas e assim, mesmo que eu não pudesse fazer nada realmente por ela – afinal eu mal tinha capacidade de me levar naquela jornada – eu sentia que podia oferecer minha companhia e minha tentativa de boa atitude.

Eu cheguei no acampamento e fiquei pensado em como podemos usar isso na vida e nos relacionamentos. É uma jornada intensa, por vezes bem difícil, mas sempre gratificante. Porém, se não respiramos direito, se não mantemos a atitude positiva, perdemos o melhor do caminho. Perdemos, inclusive, a capacidade de perceber a dificuldade do outro ao nosso redor. Ainda que não possamos fazer nada por ele, podemos estar juntos na jornada.

E essa atitude positiva nos faz transpor limites. Simplesmente porque paramos de olhar o detalhe, o que incomoda, a crítica. E passamos a olhar a paisagem, a beleza da jornada, a companhia.fb_img_1473190294917

E isso me faz pensar também em como é importante manter essa atitude positiva e a respiração quando nos dispomos a caminhar com alguém na vida. Ou quando nos abrimos à possibilidade de que alguém venha caminhar conosco.

Enfim, manter uma atitude positiva nos leva a um lugar muito diferente, mas não chegamos em lugar nenhum sem respirar. Portanto, por mais desafiador que seja o caminho, respire. Sempre e o mais profundo que puder. E olhe ao seu redor com olhos de apaixonado, com olhos que estão vendo pela primeira vez. O caminho não fica mais fácil, mas com certeza, fica bem mais possível!

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