De Machu Picchu para a vida – Segundo dia

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img_3828Continuando a saga de aprendizados da Trilha Inca, chegamos ao temido segundo dia. Desde muito antes da viagem, líamos em blogs e comentários que o segundo dia era o pior, o mais cansativo e o mais difícil. Realmente foi. Mas foi também o mais valioso e gratificante.

O dia começou novamente às cinco da manhã com o ritual do chá de coca para ajudar na respiração. Nesse dia atingiríamos o pico mais alto da nossa trilha: 4.215 metros de altitude. Topo da montanha.

Eu estava animada com meu espírito positivo treinado no dia anterior. Por nenhum momento pensei que não chegaria lá. Esses pensamentos haviam ficado para trás. Mas não fazia ideia da dificuldade que seria subir.

E a lição mais impactante do segundo dia e que marcou demais foi: Não é uma corrida!

Essa foi a fala do guia logo antes de começar a caminhar. E ao longo do dia eu fui entender direito sobre o que ele falava.

img_3844O ar começa a ficar bem escasso. A dificuldade de respirar é real e nos faz cansar o dobro do que cansaríamos em condições normais. A subida era praticamente toda em degraus disformes. E não tinha trégua, era subida o tempo todo. E logo no início, eu parei e olhei para cima e evitei pensar em qualquer coisa. Eu só ajustei o foco e disse: “é lá que tenho de chegar”.

Vários outros grupos estavam na trilha com a gente. Era impossível seguir juntos. Cada um ia medindo o tanto que conseguia andar e o ar que lhe faltava. Não dava para pensar em mais nada. O foco no próximo passo era intenso. Ainda que a meta fosse o pico, ela ficava esquecida, porque só importava o próximo passo. E eu fui me colocando pequenas metas. Olhava para frente e pensava: “naquele degrau ali eu paro e descanso”. Então subia sem parar até chegar lá. E respirava animadamente quando atingia a meta. Encontrava o resto do grupo durante a caminhada e logo desencontrava. Mas não tinha problema. Não era uma corrida. Estávamos fazendo nossa própria jornada. Cada um no seu tempo e na sua capacidade.

O único que não podia era parar. Só eu podia caminhar o meu caminho. Somente eu poderia me levar ao topo. Os outros caminhavam comigo, me incentivavam, me pediam incentivo. Mas só eu poderia me fazer caminhar.

Não é uma corrida. Não tinha uma disputa de quem chegasse primeiro. Não tinha um tempo estipulado ou um jeito correto. É a minha jornada. Somente eu tomo decisões sobre ela. Ainda que muitas vezes me davam dicas e ajudas. Eu estava caminhando na minha jornada. Eu estava caminhando rumo à meta. Eu sabia do meu fôlego, do meu cansaço, da minha força de vontade, ninguém mais. Não dava nem para medir se era mais fácil ou mais difícil para os outros. Cada um sabia do seu.

O segundo dia é todo sobre o seu próximo passo. Sobre a sua capacidade de atingir pequenas metas que te levam ao todo. E principalmente, sobre saber que suas metas são suas, não cabem comparação, nem competição com as metas de ninguém. A estratégia de caminhada é sua. O corpo é seu. A vontade de vencer é sua. E somente você pode se levar ao topo.

Mas quando eu estava a poucos degraus do topo, ver as outras pessoas que estavam lá, gritando para me incentivar e batendo palmas para minha conquista, me fez entender o melhor da jornada: eu não estou sozinha! E como não é uma competição, eu posso celebrar tranquilamente com todos ao meu redor.

Essa é a vida. Não é uma corrida de quem chega mais rápido ao topo. É sobre colocar as metas que me levam aonde quero chegar e celebrar minhas vitórias com aqueles ao meu redor. É sobre estar focado no meu próximo passo, principalmente quanto mais desafiador for o caminho.20160901_160318

Assim também nossos relacionamentos. Não nos colocam em competição, mas é sobre ter com quem celebrar as metas e vitórias da nossa jornada. E fazer parte da jornada do outro, apoiando, incentivando e celebrando com ele. Quanto mais focado estamos, mais cuidado em compartilhar a jornada temos que ter. Para que na hora de celebrar possamos olhar para o lado e ver quem caminhou conosco desde sempre.

Esse foi o segundo dia. E essa é a vida. Não uma corrida, mas uma jornada onde temos que nos manter positivos e respirando, mas focados nas metas e nas pessoas que caminham conosco.

3 ideias sobre “De Machu Picchu para a vida – Segundo dia

  1. Olá,
    Acabo de conhecer seu blog e devo dizer que tudo o que está escrito aqui é a mais pura realidade para todos e se encaixa perfeitamente na realidade em que me encontro agora. É incrível como situações diferentes nos revelam, as vezes, as mesmas lições. Minha situação não tem nada a ver com o Peru, mas me guiou até seu blog, aliás meus parabéns adorei o conteúdo! Tenho em vão buscado respostas para minhas dúvidas e inseguranças nos outros, mesmo sabendo que está tudo dentro de mim. Por mais que eu saiba onde as respostas estão não torna mais fácil pagar o preço cobrado pelas ações que quero tomar, é bem aí que vem o ponto de interrogação: Estou preparada a pagar por este preço? Nem sempre temos o luxo do tempo para pensar nos prós e contras, e convenhamos hoje em dia o tempo é um dos preços mais altos a se pagar. Mas como diz meu namorado, quando você tem duas escolhas e joga elas na moeda, cara e coroa, torcendo para que seja uma escolha, é que, no fim, vocês já escolheu só está com medo de apostar nela.
    Obrigada pelo empurrãozinho.
    Jéssica.

    • Jessica,
      Muito obrigada pelo seu comentário! É exatamente isso, o frio na barriga que as decisões nos causam às vezes turvam nossa visão para aquilo que verdadeiramente desejamos escolher. É um preço alto a pagar, mas lembrar que a vida é feita a cada pequeno degrau, esse preço se dilui em “parcelas” mais possíveis de serem pagas, não é? Desejo toda sorte do mundo nessas decisões!! Volte sempre!!!

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