De Machu Picchu para a vida – Terceiro dia

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20160902_180340Hoje vou falar sobre o terceiro dia da trilha. Ele começou para mim na felicidade total. Porque depois do desafio do segundo dia, eu estava me achando algo perto de mulher maravilha. Então, pensei: “vai ser fichinha esse terceiro dia”. E não foi.

Primeiro que começou chovendo, só para dar um pouco mais de emoção. Foi o dia mais frio. E logo pela manhã, depois de levantar acampamento, subimos até quase quatro mil metros de altitude de novo. Eu não esperava por isso. Meu corpo não esperava por isso. Logo, eu comecei a me sentir minando meu espírito positivo. A cada degrau que eu subia e o fôlego acabava, eu sentia que ia ficando mais impaciente. Era como se o mundo estivesse de sacanagem comigo, não era o combinado. Era para ser o dia mais tranquilo. Mas chegamos ao topo de novo de outra montanha. Eu me concentrei na minha respiração por um tempo para buscar dentro de mim meu espírito positivo de novo. Encontrei rapidamente. Não era tão difícil porque a paisagem era também de tirar o fôlego.

E a lição maravilhosa do terceiro dia foi: talvez a parte mais difícil tenha terminado, mas o desafio continua sempre.

A paisagem muda bastante no terceiro dia. E a gente começa a descer a montanha pelo outro lado. O caminho fica mais inconstante, ora com subidas, ora com descidas e até algumas trilhas planas. O condicionamento físico não é tão exigido mais, mas ainda é bem desafiador. Só que como o fôlego fica mais constante, é mais fácil de acompanhar o grupo, olhar a vista, sentir o vento no rosto. Fica mais prazeroso mesmo. Íamos conversando no caminho, tirando mais fotos, parando mais para apreciar.

Eu até senti uma energia bem forte no corpo e acabei indo na frente por um trecho até a hora do almoço.

Mas como o fôlego e a respiração não são mais um problema, você começa a sentir mais o corpo. E a dores na musculatura ficam bem mais intensas. Portanto, é preciso força de vontade para continuar e muita atenção no caminho também, porque ele é bem irregular.

20160902_181422Mas era ótimo poder estar mais perto do grupo, fazer piadas, cantar de vez em quando – sempre que não irritasse os coleguinhas – e até conhecer melhor os integrantes do grupo. Nessa altura já éramos amigos de infância. Eles eram parte da minha jornada. Me ajudavam nas minhas crises de medo de altura. Riamos bastante e apreciávamos o caminho juntos.

E isso veio para vida também. Quando passa o maior desafio, aquele que consideramos um obstáculo ou uma meta muito grande a alcançar, temos a sensação que já podemos descansar e pronto. Porém, é exatamente nesse ponto que a jornada se firma. Nos desafios seguintes. Não é mais um grande esforço. Talvez nem exija o máximo de você. Mas é preciso que a atenção esteja totalmente presente e a força de vontade seja o motor. É preciso continuar no 100%. Porque o caminho está mais leve, mais agradável, mas ainda é a sua jornada. Ainda precisa que você mantenha o esforço. Claro que agora você pode ir com mais calma, pegar mais leve, estar com as pessoas, construir laços e admirar a paisagem. Mais ainda é sua jornada.

E nesse ponto da jornada, ficam sadios e fortalecidos aqueles relacionamentos que você cultivou com sua atitude positiva, apoio na jornada e foco nas metas. Essas pessoas estão ao seu lado e agora vocês podem curtir a jornada e se apoiar com mais alegria em cada passo, em cada novo caminho. E os desafios vão sendo construídos a cada novo pedaço da trilha. Juntos é bem mais divertido.20160902_160247

E assim terminou o terceiro dia da trilha. Mais leve no caminhar, porém mais marcante no corpo e nas ideias. E já começou a sensação de “ainda bem que está terminando”, juntamente com “eu não quero que acabe”.