De Machu Picchu para a vida – Quarto dia

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fb_img_1473190446785Enfim chegamos ao último dia da trilha. Vim narrando alguns dos aprendizados que tive nessa jornada e que eu trouxe para a minha vida. Eu recomendo a todo mundo essa experiência, enfrentei meus limites, meus medos e me enchi de novos amigos.
O último dia começou às três da madrugada, com o ritual do chá de coca – confesso que no último dia eu não queria nem pensar mais nesse chá e nem muito menos ouvir o querido que nos acordava com ele. Mas recolhi todas as forças que restavam depois de todo o esforço dos três dias e juntei as minhas coisas na mochila. A essa altura eu e a mochila éramos praticamente um só. Me sentia um caramujo carregando sua casa nas costas. Enfrentei o banheiro nada agradável do acampamento e o frio da madrugada.
Estou falando todos esses pontos negativos, não porque eu tivesse perdido minha atitude positiva, mas para poder dizer para vocês que tudo isso me deu saudade. Eu me sentia tão feliz de estar ali, que nada disso era ruim. Apenas era. E ser já era bom demais. Que saudade que tudo me dava só de juntar minhas coisas.
Ficamos uma hora esperando em uma fila para revalidar nossos tickets de entrada a cidade Inca. E nesse momento não tinha uma luz, somente das lanternas que decidimos apagar para ver o céu. Era uma visão magnífica. A quantidade de estrelas que conseguíamos ver era sensacional. Tentamos tirar uma foto, mas não dava para marcar o que estávamos de fato vendo. Resolvemos tirar uma foto na memória mesmo.
Depois desse momento, andamos por mais duas horas até a Porta do Sol, que é a ruína de entrada à cidade Inca. Onde vimos o sol começar a apontar. Sinceramente a caminhada já nem me importava mais. Era uma alegria tão grande poder estar ali. Meu corpo se sentia parte da trilha, como se na verdade eu fosse Inca e estivesse indo para casa. Mil fotos, mil piadas, músicas, e mais amizades.20160903_091309
Entrar na cidade Inca e ver a grandiosidade das ruínas, a história do local, e imaginar o que tinha sido tudo aquilo, me deixou inebriada. Mesmo apesar do cansaço físico, era uma alegria muito grande conhecer tudo aquilo.
E para mim a lição do último dia foi determinante: deixa a experiência te transformar.
Não importava mais nada naquela altura. E eu já nem conseguia raciocinar direito por causa do cansaço. A única sensação que eu tinha dentro de mim era: aquilo que vivi e senti durante a trilha estava gravado no meu corpo e na minha emoção. Era preciso respirar o caminho. Precisava sentir o novo jeito que meu corpo tem e as novas possibilidades que isso me trazia.
Eu não estava encerrando a jornada. Ela apenas começava a mudar de lugar. A jornada continua em casa, na minha vida. E agora eu preciso aprender a olhar os outros e a mim mesma com essas novas sensações, com esse novo corpo.
Parece meio viagem, não é? Mas eu refleti que as experiências que tenho na vida, boas ou ruins, precisam me modificar. É para isso que elas acontecessem. Se eu travo, se eu me seguro, ou se simplesmente acho lindo e só, acabo por perder o mais incrível das situações que é o fato de que elas me modificam.
Assim são, também, os relacionamentos que temos. Cada pessoa que passa na nossa vida só tem sentido se nos deixamos modificar por ela. Não pelo que a pessoa quer ou faz, mas por aquilo que estar com ela provoca em mim. É o momento em que eu deixo de ser eu, e passo a encontrar um “nós”. 14369920_10104240113066344_3258899093346558634_n
Não temos muito controle sobre essa parte e talvez por isso nos dê tanto medo. Mas eu senti nessa experiência da trilha que era preciso perder o controle e deixar que meu corpo tome sua nova forma, que minhas emoções se ajeitem do jeito delas.
Eu sinto, hoje, que não sou a mesma. Algo mudou. E com o tempo eu talvez consiga definir melhor. Mas me sinto muito feliz por ter me deixado modificar.
Bom, e assim encerro essa saga. Mantendo a atitude positiva, lembrando de respirar, colocando as pequenas metas que me levam aonde quero, mantendo o foco, curtindo o caminho e me deixando modificar por ele.