O que será que eu fiz de errado?

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terminando-o-namoroHoje eu recebi uma mensagem de uma amiga com uma foto reveladora. Tempos atrás eu era apaixonada por um menino do meu colégio. Arriava os quatro pneus, e mais o estepe, por ele. Tivemos um romance adolescente, mas nada muito sério e duradouro. Mas acho que nem precisava, porque eu fantasiava o suficiente por nós dois. Só que nunca engatava nada. Ele parecia gostar de mim, mas era só isso. E eu me martirizava, morria e sofria com o desprezo dele. “Por que não me liga”? “O que eu tenho de errado”? “Será que eu não sou bonita ou legal o suficiente para ele”?

Foram dois anos apaixonada. A gente ficava às vezes, se falava quase sempre e eu sofria todos os dias. E nunca passou disso. Bom, hoje a foto que minha amiga me mandou, foi a foto dele em uma demonstração de amor para o namorado. Isso mesmo, o namorado. Ele é gay.

Olhei a foto por um tempo e ri. Não sei bem se era sensação de alívio. Não que eu ainda sentisse qualquer coisa por ele depois de mais de 10 anos de toda a história. Mas eu ri por, mais uma vez, perceber o quanto criamos conclusões na nossa cabeça, geralmente nos culpando de algo que nem sabemos se aconteceu. E, nesse caso, afeta diretamente a autoestima.

Eu passei muito tempo me achando insuficiente para ele, quando eu, na verdade, não fazia ideia da jornada, dos dilemas que estavam passando na vida dele. Não fazia a menor ideia dos caminhos que ele iria percorrer.

Isso acontece tantas vezes… De ficar grilada por que o cara sumiu, não ligou mais, não disse nada e achar que eu fiz algo de errado ou não sou suficiente. É mais ou menos assim: você conhece alguém legal, passam um momento legal, pode ser que saiam mais de uma vez, e de repente acaba. Sem grandes explicações. Mas você está cheio de expectativas. E você já começa a se perguntar o que foi que aconteceu? “Será que eu disse besteira”? Você passa os momentos todos na cabeça para tentar achar qual pode ter sido o motivo. Ou então já começa a pensar que o outro é doido, que não vale nada, “quem essa pessoa pensa que é”? Enfim, tudo pode ser e não ser ao mesmo tempo. A verdade é que você quer um culpado por tudo ter terminado quando você queria continuar.fim-2

E tudo é tão mais simples! O lance é que o outro tem uma vida que acontece independente de você. A pessoa tem histórias, rolos mal resolvidos, rolos apenas começando e questões de vida a serem decididas. Aquele momento com você é só mais um momento dentro de toda a jornada da vida dela. E se ela some, o mais provável é que seja coisa dela mesmo. E você não vai saber o que foi.

Pode até ser que tenha acabado porque você não é o que o outro queria. Mas, de novo, não tem nada a ver com você e sim com as vontades, desejos e planos dele. Se não deu certo, somente podemos pensar o que aconteceu do nosso lado. Até porque se realmente você fez algo que feriu ou machucou a pessoa, você saberá. Com certeza! E se quiser muito saber o que foi que fez ele desistir, não tem como adivinhar ou descobrir desabafando com amigos, tem que perguntar para ele.

E o engraçado é que é difícil passar por essas neuras, ser a pessoa que fica quando alguém “vai embora”. E por isso, não pensamos que fazemos o mesmo com outras pessoas. Sabe aquele cara que você saiu, foi super legal, mas foi exatamente quando seu ex resolveu aparecer? Ou foi naquele momento em que você estava super focada nos estudos/trabalho e não dava para se envolver? Ou estava na fossa e saiu somente para espairecer, porém ainda não quer relacionamentos? Ou simplesmente sentiu que o cara não era o que você estava procurando? Ninguém faz isso oficialmente, senta na frente do outro e conta os motivos pelos quais não irá mais responder as mensagens. Até seria interessante. Mas, geralmente, a gente só deixa a situação morrer. A gente para de alimentar as expectativas. Certo ou errado, não sei, mas é o mais comum.

fim-3A leveza surge quando entendo que nem tudo se refere a mim. E coisas acontecem além da minha percepção e eu não preciso me culpar por isso.

Duas pessoas estão vivendo a vida com mil jornadas, caminhos e decisões. De repente, em um desses encontros da vida, eles se cruzam e se conhecem. Isso é um ponto da história toda. Todo o resto continua acontecendo. E o que vai rolar a partir desse encontro, quem vai querer ficar ou partir, cada um vai ter que decidir por si. E para quem “fica” querendo continuar, resta entender que não é preciso culpados, e também não quer dizer que não se é suficiente para alguém. É somente o outro seguindo a vida por seus próprios caminhos.

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